A Bienal da UNE é um dos momentos mais aguardados de cada gestão da entidade. Para Daniel Iliescu, ex-presidente que organizou a 8aBienal em 2013, o evento é um momento da UNE expandir os seus canais de diálogo com a sociedade. “É também um momento de dialogar para além das lutas mais imediatas do movimento estudantil: com estudantes de todo o Brasil ao mesmo tempo em um mesmo local.”
Na 8a edição da Bienal, o grande homenageado foi o músico Luiz Gonzaga, em comemoração ao centenário de seu nascimento. Em entrevista para o site da UNE, Iliescu destaca o histórico papel das Bienais de discutir o Brasil e os ícones da nossa cultura. “Se cada estudante sair de uma Bienal sabendo e gostando mais do Brasil, valeu ter realizado o festival”, afirma o ex-presidente.
Carioca, Iliescu está ansioso pela realização da próximo Bienal, que acontecerá em um momento único para a cidade do Rio de Janeiro, que estará completando 450 anos. Faz também um chamado para todos os estudantes do país: “Chega mais, sejam bem-vindos! Venham conhecer o Rio de Janeiro, porque a Bienal é uma das experiências mais legais que um jovem pode ter. Vamos nessa construir uma perspectiva para a cultura brasileira!”
Confira abaixo a entrevista na íntegra:
Qual é a importância da Bienal para a UNE?
Eu entendo que a cultura tem para a UNE um papel muito especial. A Bienal sempre foi para o movimento estudantil uma tentativa de dialogar com uma parcela mais ampla da sociedade brasileira e tentar trazer uma reflexão mais profunda sobre o Brasil. Dialogar com parcelas da sociedade que não temos a oportunidade em outros momentos. A Bienal surge de uma tentativa de resgatar no movimento estudantil um lance de trazer um pensamento mais arejadoe criativo dentro do movimento estudantil. De voltar a ter expoentes importantes da cultura e das artes do Brasil dentro do movimento estudantil, como ocorreu na década de 1960. É também uma tentativa de dialogar para além das lutas mais imediatas do movimento estudantil com estudantes de todo o Brasil ao mesmo tempo em um mesmo local. É talvez o maior encontro de estudantes do Brasil. E juntá-los para discutir o país que vivem é uma questão que vem desde a primeira a Bienal. Se cada estudante sair de uma Bienal sabendo e gostando mais do Brasil, valeu ter realizado a Bienal.
Como foi realizar a 8a Bienal?
Enquanto militante de uma entidade, é uma lição muito grande de mobilização, organização e produção. Mostra a capacidade que a juventude tem de organizaras coisas do seu próprio jeito. É um processo muito bonito que oxigena o próprio movimento estudantil. Existe uma lacuna nas universidades de espaços para os estudantes mais talentosos apresentar a sua criatividade, a sua arte. A Bienal traz uma oportunidade de trazer o estudante para um ambiente mais político e unir política e cultura. É um momento único de se encontrar com estudantes de todo o país.
Por que vocês decidiram homenagear o Gonzagão e realizar a Bienal em Recife e Olinda?
Essa Bienal foi muito especial mesmo, realizada nas ladeiras de Recife e Olinda. Dentro da UNE, nós sempre trazemos uma reflexão sobre o Brasil, o Brasil profundo. Na 8a Bienal, decidimos celebrar o Nordeste e o Gonzagão em Pernambuco. Um mês antes da Bienal, ele faria cem anos. O Gonzagão é uma figura muito peculiar da cultura brasileira, o pai de uma vertente da cultura brasileira que vem do baião e do xaxado. A singularidade que ele tem como ícone da culturabrasileira foi determinante para a escolha dele como o grande homenageado desta Bienal. No final, a UNE fez uma homenagem tão bonita que fechou de forma marcante ocalendário nacional de homenagens ao Gonzagão que vinha acontecendo naquele período.
Quais foram os melhores momentos e os maiores desafios?
Quando ainda estávamos organizando a Bienal da UNE, em dezembro de 2012, nós fomos em uns dez ou quinzeestudantes para a cidade onde o Gonzagão nasceu, em Exu, no interior de Pernambuco, no dia do aniversario do seu centenário, no dia 13 de dezembro. Lá, assistimos aum dos últimos shows do Dominguinhos, pouco antes de ele ficar doente. Foi uma grande honra, pois o Dominguinhos, ao lado da Elba Ramalho, que fez um show nessa Bienal, são os grandes herdeiros dessa tradicional cultura simbolizada pelo Gonzagão.
A próxima edição da Bienal vai acontecer no Rio de Janeiro, a sua cidade natal, pela quarta vez.Qual é a importância da realização da Bienal no Rio neste momento?
Sempre é legal receber o Brasil inteiro na sua cidade. O Rio tem isso de receber de braços abertos. Nós vamos estar comemorando os 450 anos do Rio no ano que vem.É um momento muitosimbólico: vésperas das Olimpíadas, e, ao mesmo tempo, o Rio é uma cidade que tem muitas contradições, muita violências e muita desigualdade. A Bienal marca essa cena do movimento social e da juventude, discutindo avanços neste momento importante simbolicamente. Essa Bienal seráainda o primeiro grande evento político e social da juventude após a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. É um momento muito importante para a UNE marcar posição para as próximas disputas políticas e mobilizar os estudantes de todo o Brasil por mais investimento em cultura e educação, mas também pela reforma política e outras pautas dos movimentos sociais.
Qual recado você manda para os estudantes que desejam participar dessa edição?
Chega mais, sejam bem-vindos! Venha conhecer o Rio de Janeiro, porque a Bienal é uma das experiências mais legais que um jovem pode ter.Vamos nessa construir uma perspectiva para a cultura brasileira!
9a Bienal: Saiba mais
A 9a Bienal da UNE acontecerá entre os dias 01 a 06 de fevereiro de 2015 no Rio de Janeiro. O tema desta edição será “#VozesdoBrasil” e faz um convite à reflexão sobre a linguagem no Brasil. São esperados mais de 10 mil estudantes de todas as partes do país para celebrar a diversidade cultural produzida dentro e fora das universidades brasileiras.
Faça a sua inscrição
A Bienal é aberta a qualquer estudante.Para fazer o seu cadastro, é só clicar aqui, acessar o formulário online, escolher a sua opção e preencher os seus dados. A inscrição para os participantes que querem fazer oficinas, ir aos shows e participar dos debates e outras atividades tem o valor de R$60. As inscrições vão até o dia 18 de janeiro de 2015. Após sesta data, o valor da inscrição será de R$ 120. Estão isentos das taxas os estudantes cotistas, prounistas e do Fies.
A inscrição dos estudantes que vão participar por meio da inscrição de trabalhos na mostra selecionada é gratuita. As áreas que receberão trabalhos são: música, artes visuais, literatura, audiovisual, artes cênicas, ciência e tecnologia e projetos de extensão. Atenção: a inscrição de trabalhos vai até o dia 7 de janeiro de 2015.
Os selecionados para a mostra serão divulgados no dia 14 de janeiro no site da UNE e no hotsite da Bienal.
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Da Redação