A Bienal da UNE tradicionalmente homenageia um nome em cada uma das sete áreas que fazem parte do festival: audiovisual, artes cênicas, artes visuais, literatura, música, ciência e tecnologia e projetos de extensão. Veja os nomes que serão celebrados nesta edição do maior festival estudantil da América Latina, que acontece de 01 a 06 de fevereiro de 2015, na Lapa, no Rio de Janeiro: 

AUDIOVISUAL

O maior documentarista do Brasil, Eduardo Coutinho, morto no ano passado, é o homenageado de Audiovisual. Coutinho integrou Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes, o CPC da UNE, que nos anos 60 representou o que de melhor foi produzido artisticamente no país. Foi lá que cineasta paulista iniciou o seu trabalho mais importante: a ficção baseada em fatos reais Cabra Marcado para Morrer, um trabalho de história e jornalismo que partia do assassinato do líder da Liga Camponesa de Sapé (PB), João Pedro Teixeira. As filmagens foram interrompidas pelo Golpe Militar de 1964, com parte da equipe presa sob alegação de comunismo, e retomadas quase 20 anos depois. O cineasta deixou uma extensa obra, foi revolucionário e grande ativista, com extrema sensibilidade aos problemas sociais.

ARTES VISUAIS

A pintora Djanira da Motta e Silva é o nome das Artes Visuais. Em 2014 foi comemorado o centenário de nascimento da artista que exerceu também as funções de desenhista, ilustradora, cenógrafa e cartazista. Djanira aprendeu a desenhar sozinha, não passou da escola primária e conheceu a história da arte mais velha. Em 1952, na fase considerada mais expressiva da sua carreira viajou pelo Brasil para colher imagens do cotidiano e de festas religiosas. Representou pescadores, trabalhadores do campo e da cidade, e o místico sincretismo do catolicismo e cultos afro-brasileiros.O painel “Santa Bárbara” (1964), de 130 metros quadrados e 5300 azulejos, é um dos melhores exemplos desta fase e está hoje no Museu Nacional das Belas Artes do Rio de Janeiro. A obra é uma homenagem aos 18 operários mortos na abertura do Túnel Santa Bárbara, entre os bairros de Catumbi e Laranjeiras, no Rio de Janeiro.Tomou contato com a pintura de Pieter Bruegel, Fernand Léger, Joan Miró e Marc Chagall, em Nova York, no fim dos anos 1940, que deixou marcas em sua produção. Morreu consagrada com uma das maiores pintoras do país e com uma extensa obra.

ARTES CÊNICAS

Abdias do Nascimento, o homenageado das artes cênicas foi ator, poeta e escultor. Nascido em 1914, não se contentava com o destino, reservado a ele e aos que tinham sua cor de pele. Em uma época que “nos teatros municipais do Rio e de São Paulo, negros entravam apenas para limpar o chão que os brancos sujavam”, como ele mesmo destacou, o ativista decidiu transformar o cenário e as personagens do momento. Recrutou domésticas, analfabetos, operários e desempregados, todos negros, para estudar teatro e montar peças. Concebeu o que pode ser considerado um dos maiores laboratórios de diversidade e autoafirmação nas artes cênicas do Brasil. Foi o Teatro Experimental do Negro, que revolucionou a vida de centenas de pretos, pardos, pobres. Abdias alfabetizava o elenco, preparava os atores e incentivava a conscientização deles como cidadãos. O palco virou espaço para os negros marginalizados terem voz e exercitarem seu talento. Eles aprendiam sobre as próprias origens, aceitavam as raízes africanas, orgulhavam-se de ser quem eram. Algumas das encenações de mais destaque foram O Filho Pródigo (1947), de Lúcio Cardoso; Aruanda (1950), de Joaquim Ribeiro; e Sortilégio (1957), do próprio Abdias. Foram formados pelo Teatro Experimental do Negro artistas do calibre de Ruth de Souza e Milton Gonçalves.

C&T

O homenageado de Ciência &Tecnologia é Ildeu de Castro Moreira, um dos maiores nomes da divulgação científica nacional. Professor e físico o homenageado vive para a divulgação e popularização da ciência, seja com suas palestras, projetos, artigos, e livros. Sua contribuição mais importante foi a criação em 2004 da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, o maior programa de difusão científica do país, que coordenou durante os oito anos em que esteve à frente do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI). Nascido em Capela Nova, sul de Minas Gerais, Moreira se formou em física pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1973 e três anos mais tarde ingressou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde é professor no Instituto de Física e no Programa de Pós-graduação em História da Ciência e das Técnicas e Epistemologia.

MÚSICA

No quesito música, o samba toma conta do festival. A homenageada Dona Ivone Lara que completa 94 anos neste 2015, foi a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de escola de samba. ‘’Nasci pra sofrer’’ e ‘’Não me perguntes’’ são algumas de suas famosas canções. Intérpretes como Clara Nunes, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Paulinho da Viola também gravaram composições da chamada ‘’dama do samba’’.

PROJETOS DE EXTENSÃO

Horácio Macedo é o homenageado na área de projetos de extensão. Químico por formação, Horácio ficou conhecido por sua militância política durante a Segunda Grande Guerra quando, ainda estudante, alistou-se na Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater o nazifascismo na Europa. Em sua vida acadêmica lutou pela ampliação de programas de extensão nas universidades, como a criação do já conhecido modelo de Hospital Universitário nos cursos de medicina.

LITERATURA

Na literatura, a Bienal presta homenagem a um velho conhecido. Carlos Drummond de Andrade, poeta, cronista, tradutor e escritor, empresta um pouco da sua voz e sensibilidade ao festival estudantil. O poeta mineiro, mas que viveu grande parte da vida no Rio de Janeiro, era dono de um estilo livre, sem métricas, enquadrando-se na segunda parte do modernismo brasileiro. Por ter vivido em um período marcado pela Guerra Fria, a incerteza da época pode ser percebida em sua obra, onde muitas vezes o eu-lírico se mostra sem esperança em relação ao futuro.

FAÇA SUA INSCRIÇÃO  

A Bienal é aberta a qualquer estudante. Para fazer o seu cadastro, é só clicar aqui, acessar o formulário online, escolher a sua opção e preencher os seus dados. A inscrição para os participantes que querem fazer oficinas, ir aos shows e participar dos debates e outras atividades tem o valor de R$60. As inscrições vão até o dia 18 de janeiro de 2015. Após sesta data, o valor da inscrição será de R$ 120. Estão isentos das taxas os estudantes cotistas, prounistas e do Fies. 

A inscrição dos estudantes que vão participar por meio da inscrição de trabalhos na mostra selecionada é gratuita. As áreas que receberão trabalhos são: música, artes visuais, literatura, audiovisual, artes cênicas, ciência e tecnologia e projetos de extensão. Atenção: a inscrição de trabalhos vai até o dia 7 de janeiro de 2015. 

Os selecionados para a mostra serão divulgados no dia 14 de janeiro no site da UNE e no hotsite da Bienal. 

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Da Redação