Estudantes também acordaram intensificar a construção de fóruns e seminários em defesa das políticas de ações afirmativas

Nos dias 11 e 12 de Junho ocorreu o 7º Encontro de Estudantes Negros e Negras – ENUNE, que contou com mais de 1.000 inscrições e na mesa de abertura/conferência contou com quase 1.500 participantes, que pela primeira vez, aconteceu de forma virtual com transmissão no canal do Youtube da UNE, e com grupos de discussão via plataforma Zoom.

No primeiro dia do encontro ocorreu a mesa de abertura “Tudo que nóis tem é nóis” que contou com a presença de representantes de organizações e movimentos que constroem a pauta racial no Brasil.

Logo em seguida foi realizada a conferência “Negros e Negras em Diáspora: necropolítica, pandemia e as lutas pelo fora Bolsonaro” que teve a participação da Ieda Leal (MNU), da Anielle Franco (Instituto Marielle Franco), da Olívia Santana (Deputada Estadual – PCdoB/BA) e da Sâmara Martins (Vice Presidenta da Nacional da UP).

A programação do primeiro dia do 7º ENUNE encerrou com uma cultural que contou com a apresentação de Ysmael Ventura do Coletivo Enegrecer e Manuella Mirella que é Coordenadora Geral do CUCA da UNE. Na cultural foram exibidas produções de artistas negros e negras enviadas para 12ª Bienal da UNE, assim como outras produções independentes. 

Cotas e Segurança Pública

O segundo dia iniciou com a mesa “10 anos de cotas e das Políticas de ações afirmativas, os desafios do ensino remoto e a premência estudantil”. A mesa contou com contribuições da Dani Balbi (Professora Doutora da UFRJ), Carol Dartora (Vereadora pelo PT em Curitiba/PR), Dandara Tonantzin (Vereadora pelo PT em Uberlância/MG), Paulinha Silva (Diretoria de Mulheres da UNE) e Marcus Vinicius (Estudante de Medicina da UFMG). Nas falas foram apontadas a importância das cotas para o enegrecimento das universidades, se dando tanto pelo acesso, pela permanência estudantil a partir da política de assistência estudantil, e conclusão, assim como pelas produções científicas produzidas pelos estudantes negros e negras As contribuições também ressaltaram a importância das políticas e ações afirmativas para a construção de um Brasil na qual o povo preto seja incluído em espaços históricos que a braquitude ocupou e ainda ocupa. Além disso, foi reforçado a necessidade do povo preto estar atento e organizado para a luta em defesa das cotas que será enfrentada no ano de 2022 quando a política passará por um processo de reavaliação num contexto de um Congresso Nacional, em sua maioria conservador, com o presidente da República abertamente contra a política de cotas. 

Já no início da tarde do dia 12 ocorreram os grupos de discussão a resistência dos povo indígenas e das comunidades tradicionais; mulheres negras movendo as estruturas dentro e fora das universidades; a luta da população negras LGBTQIA+; pandemia e os desafios da saúde da população negra e quilombola brasileira; e desafios da população negra diante da precarização do trabalho, desemprego e busca por renda.

Logo em seguida ocorreu a mesa “Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer: por uma nova cultura de segurança pública” que contou com as contribuições de Dara Sant’Anna (Coletivo Enegrecer), Dudu Ribeiro (Coordenador geral da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas) Fran Rodrigues (Membro do DCE da UFRGS), Thiago Sardinha (Geógrafo e doutorando em Ciências Sociais), e Tamires Sampaio (autora do livro Código Oculto e Sec. Adjunta de Segurança Pública de Diadema). 

O 7º ENUNE encerrou-se com a leitura da Carta do Brasil, a qual convoca a todas e todos a se somarem na luta pelo Fora Bolsonaro em defesa do Brasil, das vidas e pelo povo brasileiro e a se somarem na construção de fóruns e seminários em defesa das cotas: “Nesse sentido, acreditamos que a UNE cumpre um papel fundamental para apontar caminhos para nosso futuro. Devemos fortalecer nesse próximo período as lutas antirracista, construir seminário e ações junto com as bases,  com o objetivo de construir agendas de luta em defesa das pautas de estudantes negros e cotistas. Assim, convocamos os e as estudantes a construir uma campanha nacional em defesa das cotas e das políticas de permanência estudantil. Os desafios desse momento histórico são grandes, e apenas com organização e luta conquistaremos a democratização dos espaços de poder, como as universidades e a política”, diz trecho. 

> Confira a resolução do 7º ENUNE, a Carta do Brasil.

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