A língua portuguesa é uma das mais faladas no mundo, expressa a voz de países de dimensões continentais como o Brasil e é porta-voz de uma literatura magistral como a de Fernando Pessoa, Machado de Assis, José Saramago e Guimarães Rosa.

A conexão cultural e política entre os países que empregam o português, a chamada lusofonia, motivou um dos debates temáticos da Bienal da UNE nesta quinta-feira (5).

Para conversar com os estudantes, dois especialistas em língua e cultura: o ex-ministro e professor de letras clássicas Luiz Dulci e o sambista e escritor Nei Lopes.

Os assuntos foram muitos no espaço Azinhaga, incluindo a soberania nacional, as trocas econômicas entre os países de língua portuguesa e o uso da língua como afirmação da identidade nacional no Brasil.

Com grande conhecimento no tema, Dulci lembrou que a linguagem é um tema sensível na agenda das relações internacionais.

“Tivemos a experiência do acordo ortográfico, que buscou padronizar a maneira com que a língua portuguesa é escrita pelos seus países falantes. Esse acordo teve o Brasil como grande beneficiado, na negociação, devido ao protagonismo político do país no mundo”, disse o ex-ministro do governo Lula.

Em outro exemplo, Dulci citou a necessidade das políticas públicas de educação, no Brasil, contemplarem a fala e a linguagem de outros povos imigrantes, como bolivianos e haitianos. “Temos que discutir uma nova política linguística nesse país, considerando esses novos personagens”, defendeu.

Nei Lopes também se mostrou à vontade com o tema e refletiu sobre as variações de uso da língua portuguesa, em suas diversas situações. “A língua tem que se acomodar aos momentos do seu uso”, disse. 

Da Redação