O governo do Paraná comunicou nesta quinta-feira (12) que vai retirar o projeto apelidado de “pacote das maldades” de votação. Após o plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) ter sido ocupado por professores, estudantes e servidores públicos desde terça-feira (10) os deputados realizavam nesta tarde uma sessão sem a presença de público, no restaurante da casa. A União Paranaense dos Estudantes (UPE) e a UNE estavam presentes desde o início da ocupação. Sob bombas de gás, jatos de spray de pimenta, tiros de bala de borracha e gritos com dizeres de ordem, a sessão que votaria os PLC 06/2015 e 60/2015 foi encerrada. “Os estudantes hoje desempenharam um papel fundamental puxando a linha de frente do protesto, furando a barreira policial até chegar ao restaurante da Alep para evitar a votação”, afirmou a presidenta da UPE, Elys Maryna.
Os projetos não tramitam mais na Assembleia Legislativa, após a chegada do documento oficial da Casa Civil que propõe reexame “para garantir a integridade física das senhoras e senhores deputados”.
De acordo com o Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) após quatro dias de fervorosa manifestação, mais de 50 mil trabalhadores(as) protagonizaram um dos maiores embates da carreira dos trabalhadores nos últimos anos. Mas a greve continua. “A APP-Sindicato seguirá firme em sua greve e na fiscalização para que a carreira dos(as) trabalhadores(as) em educação não sofra mais nenhum golpe de desmonte”, diz o site da entidade.
CRISE
Desde o ano passado a educação do Estado tem sofrido com o descaso do governo tucano, com atraso no pagamento de benefícios, falta de funcionários, merenda escolar e uma série de arbitrariedades nas instituições de ensino paranaenses. A crise atingiu seu ápice quando o governador Beto Richa (PSDB) apresentou aos deputados estaduais um pacote de medidas em regime de urgência no dia 4 de fevereiro para ‘equilibrar as finanças do estado”. O pacote se mostrou uma total retirada de direitos dos professores e do funcionalismo público em geral. Depois disso no dia 09 de fevereiro foi deflagrada uma greve Geral da Educação do Paraná. Entre os pontos que provocaram mais indignação nos professores estavam o fim da Paraná Previdência e as novas regras para aposentadoria e modificações que alteram a progressão de carreira e a concessão de licenças.
“Tudo isso está acontecendo porque o Estado está quebrado”, afirma a presidente da UPE. De acordo com ela a ideia do movimento sindical e estudantil é manter a ocupação na Alep para pedir uma Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) para verificar as contas do Paraná.
Da Redação com informações da APP-Sindicato
Foto: Folhapress