Insatisfeitos com a falta de democracia nas escolas, a precária educação e a situação dos professores mal remunerados, estudantes foram às ruas de São Luís, no Maranhão, na última sexta-feira (12/09), para denunciar os casos de corrupção envolvendo o governo do Estado.
A passeata “Maranhão Sem Corrupção” chamou a atenção da população para a falta de investimento em setores esquecidos pelos governantes. A manifestação pacífica, porém, foi fortemente reprimida pelo governo maranhense. Relatos dos diretores da UBES e da UNE que participaram do protesto denunciaram a violência por parte da polícia e de infiltrados a mando da família Sarney.
Com centenas de estudantes no centro da capital do Maranhão, o ato ocorria tranquilamente até que militantes ligados à família Sarney se infiltraram no ato instigando a violência na manifestação que teve início na Biblioteca Benedito Leite e foi finalizada em frente a Igreja de Nossa Senhora do Carmo. De acordo com os estudantes os infiltrados lançaram rojões e a polícia militar foi truculenta na tentativa de dispersar a manifestação.
A diretora da UBES, Daiany Macedo, e o estudante Werberson Fernandes, ambos de 21 anos, foram atingidos pelos rojões e por isso tiveram que ser hospitalizados. O diretor de relações internacionais da UNE, Thauan Fernandes, foi agredido por um dos policiais, conforme vídeo apresentado pelos estudantes na delegacia.
“O que a gente viu hoje é a demonstração de um modelo político atrasado, truculento e que não respeita a opinião dos jovens que não aceitam mais a corrupção”, repudia a presidenta da UNE, Vic Barros.
“Ao contrário do que eles querem, nada disso nos afastará da luta: apenas nos deixa ainda mais convencidos de que é importante derrubar a última oligarquia da ditadura militar que ainda permanece no poder em nosso país”, afirmou.
ESTADO SOFRE
“A educação é sucateada, só no ano passado o governo do estado cortou R$ 23 milhões na área. Nas últimas semanas, a governadora Roseana Sarney foi acusada de envolvimento no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras, além de obras inacabadas, como a da penitenciária de Pedrinhas”, afirma a diretora da UBES no Maranhão, Jaine Santos.
Estudos sobre o corte no orçamento de 2014 indicam que o governo maranhense retirou R$ 23 milhões do orçamento da Secretaria de Estado da Educação (Seeduc).
Para o programa de erradicação do analfabetismo no ano de 2013, o Governo fez uma previsão orçamentária de R$ 7,4 milhões, mas este mesmo programa será contemplado com apenas R$ 250 mil no ano de 2014.
Para o diretor de Cultura da UBES, Wesley Machado, que esteve presente no ato, a escola maranhense não é prioridade e ainda vive no século 20, com péssima estrutura, total falta de democracia e perseguição aos grêmios estudantis.
“O Maranhão é considerado o estado com a maior taxa de analfabetismo, com o menor número de estudantes universitários. É um estado de calamidade! Ao andar em São Luís a sensação é de viver no século passado e fica claro que enquanto o Brasil avança, o Maranhão só retrocede”, ressalta.
A UNE e a UBES estão tomando as providência para denunciar os atos de agressão e exigir punição aos culpados.
Com informações da UBES e Jornal Pequeno