Estudantes de todo o país tiveram a oportunidade de expôr os seus trabalhos durante a mostra selecionada de audiovisual, que aconteceu durante os três dias, no auditório da FOCCA (Faculdade de Olinda), na Praça do Carmo, dentro da programação da 8ª Bienal da UNE. Foram 27 filmes selecionados pela curadoria da mostra, que optou por títulos que dialogassem com o tema central do evento, “A Volta da Asa Branca”.
De acordo com a coordenação da área, os estados que mais mandaram filmes para participar da seleção inicial foram Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Amazonas.
“Como o tema central é Luiz Gonzaga, concentramos nossos esforços em selecionar filmes que pudessem ter afinidades com a temática. Mesmo tendo sido feitos em realidades diferentes e com linguagens distintas, os trabalhos podem traçar um paralelo com o que acontece no sertão e em vários lugares do país”, explicou Gabriela Cativo, coordenadora da área de audiovisual.
Um dos trabalhos que representa esse caldeirão cultural é “Fatos e fotos”, das estudantes Camila Storck e Maíra Tristão. Elas, que moram atualmente em Recife por conta de um programa de mobilidade acadêmica, se encantaram pela cidade e resolveram registrar a sua impressão sobre um dos pontos turísticos mais famosos da capital pernambucana, o Mercado de São José.
“Nós tínhamos uma câmera, pegamos um tripé emprestado e fomos para lá. Dizemos que é quase um filme de ‘flaneur’. Passeamos pelas ruas e interferimos muito pouco na rotina do espaço. Fizemos quase uma foto em movimento. Essa é a nossa primeira exibição e estamos muito orgulhosas dele”, disse Camila, que é aluna do curso de Artes Visuais, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Mesmo fazendo cinema há 30 anos, Júnior Rodrigues, do Amazonas era um estreante na Bienal. Ele, que acabou de entrar no curso de Publicidade e Propaganda, fez a sua estreia no circuito acadêmico com “Uayná, lágrimas de veneno”.
“Minha intenção ao filmar ‘Uayná’ foi tratar da questão indígena de uma forma lúdica, mágica e sem diálogo. Queria deixar que a própria Amazônia conversasse com o espectador. Este ano comemoro três décadas produzindo cinema e, por conta disso, só consegui entrar agora em uma universidade. Acho muito legal falar com os estudantes, sendo agora um deles. A Bienal acaba sendo um grande caleidoscópio que junta as experiências de cada canto do país”, contou.
Maria Helena Monteiro