Milhares de estudantes com diferentes sotaques, de diversos lugares, chegando ao mesmo lugar com duas ideias presas à cabeça: Uma nova universidade e um novo Brasil. Este é o espírito do Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB) da UNE, que em sua 14ª edição reúne na Universidade Federal de Pernambuco, em Recife,  cerca de quatro mil estudantes de todas as regiões.

São universitários que saíram de suas casas, enfrentaram quilômetros de estrada, horas de vôo e até mesmo percursos de barco. Os perrengues não foram poucos. A delegação de Brasília, por exemplo, levou cerca de 40 horas para chegar ao Recife. Isso porque, além do atraso na saída, o chamado ”Busão do Amor” atolou na estrada e assim permaneceu por mais de sete horas até a chegada de um trator para retirá-lo da lama.

”Nós descemos do ônibus para empurrar e acabamos com os pés atolados”, falou o estudante da UNB, Allison César. E os perrengues não pararam por aí. Após seguirem viagem, chegando em território nordestino,  o ar condicionado quebrou e o ônibus também! ”Apesar de todas as dificuldades, o clima no ônibus foi muito bom durante toda a viagem e a chegada à Pernambuco foi sensacional”.

Segundo os estudantes, a expectativa para o CONEB é de um amplo debate, com conclusões efetivas para a melhoria da educação brasileira.

Para a galera do Rio Grande do Sul, as 82 horas de viagem foram cansativas mas super divertidas. ”A sensação foi de muita animação, fizemos muita festa dentro do ônibus”, contou o estudante de engenharia ambiental da universidade Federal da Fronteira do Sul (UFFS), Vinicius Plaszczak.

A UFFS tem apenas três anos de existência e seus estudantes vêm ao CONEB com o intuito de ampliar seus conhecimentos em relação ao movimento estudantil.

Há que venha de ônibus e há quem venha de avião. A delegação do Amazonas, devido à falta de estradas que possibilitem a saída do estado, fez a viagem pelo ar. ” Vivemos na terra do Peter Pan, só conseguimos sair de lá voando”, falou o estudante da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Aldemir Caetano.

Para ele, a expectativa em participar do CONEB é a melhor das possíveis. A discussão acerca da importância da universidade pública, a questão das cotas raciais e a regulamentação do ensino privado foram cruciais para a sua vinda ao Conselho.

Um consenso entre grande parte dos estudantes que pegaram a estrada é a infinidade do estado da Bahia. Quem veio de ônibus comentou a longa jornada que é atravessar o estado. Segundo Robson Santos, estudante da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) percorrer tantos quilometros vale a pena. ”Essa é a primeira vez que eu tenho a oportunidade de sair da região centro-oeste e participar de um evento da UNE. Atravessar a Bahia foi difícil mas chegar aqui e poder conhecer melhor o movimento estudantil é gratificante”.

A bancada do Amapá, possui a logística mais dificultosa do Congresso. Seus integrantes têm de viajar de navio até a cidade de Belém do Pará para só então pegar um ônibus. Já o pessoal do Acre faz o maior trajeto: são mais de 3.500 quilômetros. Por este motivo, até o fechamento desta matéria, tanto a delegação do Acre, quanto a do Amapá ainda não tinham chegado ao evento.

Mariana Ortiz, Renata Bars e Thatiane Ferrari