“A cidade não é um problema, cidade é solução”. Esta frase do ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner sintetiza bem o pensamento do Circuito UniverCidade que propõe dentro do universo acadêmico descobrir quais são as respostas para os principais desafios das cidades paulistas hoje e no futuro, segundo a visão da sua juventude.

Os debates com os estudantes não tem sido feitos apenas de questionamentos, mas também de ideias. Para apresentar seus projetos premiados, a caravana da UEE-SP convidou para a etapa de Presidente Prudente o vencedor em 1º lugar do Prêmio Jovem Cientista de 2011 e estudante de arquitetura Kaiodê Leonardo Biague e para a etapa de Santos a vencedora do 3ª lugar e estudante de geografia, Sâmara Íris de Lima Santos .

Com o incentivo do Prêmio Jovem Cidadão milhares de estudantes tem focado suas pesquisas acadêmicas para temas que visão a melhoria de toda a sociedade. Promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a Gerdau e a General Electric do Brasil (GE), o projeto tem como objetivo premiar os melhores projeto que solucionem os problemas brasileiros.

Um tema é definido e as inscrições são abertas para quatro categorias – graduado, estudante de ensino superior, estudante de ensino médio e mérito institucional. O prêmio para os estudantes de graduação é de R$ 15 mil para o primeiro lugar, R$ 12 mil para o segundo e R$ 10 mil para o terceiro, além de terem a oportunidade de visitar Brasília e receber das mãos da presidente Dilma Rousseff a recompensa.

Na edição passada o tema foi Cidades Sustentáveis e ao todo, 2.321 trabalhos disputaram o prêmio, número recorde para uma única edição. A distribuição nas três categorias foi: 180 na graduado, 174 na ensino superior e 1.967 na ensino médio.

Mobilidade urbana e geração de energia

Vencedor do 1º lugar na categoria ensino superior, o mineiro Kaiodê, de 26 anos não esperava ganhar o prêmio. Aliando a vida acadêmica com o estágio o estudante, na época do 2º semestre do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, resolveu “treinar” o que estava aprendendo, enviando o seu trabalho. O susto foi grande quando o presidente do CNPQ, Glaucius Oliva ligou parabenizando o projeto.

Chamada de “Mini usinas solares fotovoltaicas em Sistemas de Transporte Rápido por Ônibus”, sua pesquisa baseia-se em um corredor para a movimentação de ônibus, com estações de Bus Rapid Transit (BRT) em que os equipamentos são movidos pela energia solar e água da chuva. O sistema de vias exclusivas para ônibus chegou ao Brasil primeiro por Curitiba e agora está sendo implantado em 10 das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. 

“Cabe a nós estudantes pensar daqui para a frente em relação ao impacto ambiental. Que modelo econômico, quais recursos e os direcionamentos queremos para os próximos anos? Isso passa fundamentalmente pela dinâmica da universidade”, acredita o estudante.

Segundo Kaiodê, os dados avaliados apontam para o grande potencial energético dos sistemas BRTs, que poderiam contribuir para a construção de uma paisagem urbana mais sustentável e amigável. “Este ano pretendo passar a pesquisa para a fase experimental. Estou tendo algumas conversações com a prefeitura de Belo Horizonte”.

Meu lugar 

Analisando o impacto do medo nas grandes cidades, a paraibana Sâmara Íris de 22 anos, incentivada por seu orientador resolveu inscrever seu projeto. Com o nome de “Mapeamento da violência urbana em Campina Grande: tendências e desafios em busca da cidade sustentável”, a pesquisa da estudante do 6º semestre de geografia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) ficou em 3º lugar no prêmio.

O diferencial do projeto foram as análises qualitativas realizadas em dois jornais de grande circulação na cidade, Correio da Paraíba e Diário de Borborema. Em matérias jornalísticas que tratavam de casos de violência, foi possível verificar como os diferentes discursos relacionam a violência com a organização espacial da cidade e acabam por interferir nas práticas de mobilidade urbana.

Os resultados levaram a percepção de que as pessoas estão deixando de usar os espaços públicos, perdendo a sensação de pertencimento.

A rigidez de seu orientador foi essencial para o sucesso de seu projeto. “A pesquisa e extensão é extremamente importante. São elas que irão te ajudar na vida acadêmica, te oferecendo uma visão mais ampla”.

Prêmio Jovem Cientista 2012

Considerado um dos maiores e mais importantes prêmios acadêmicos, o Prêmio Jovem Cientista foi instituído pelo CNPq em 1981 e hoje conta com mais de 17 mil trabalhos inscritos. O projeto já premiou 167 estudantes e pesquisadores, concedendo o mesmo número de bolsas de estudos.

Com o país prestes a sediar grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, o desafio escolhido pela organização foi “Inovação Tecnológica nos Esportes”. Os projetos desenvolvidos deveram ser inscritos até o dia 31 de agosto. Confira o regulamento, tire suas dúvidas e faça sua inscrição no site: http://www.jovemcientista.org.br

Thatiane Ferrari / Foto: Leo Souza