Desenhar o Brasil que queremos para os próximos dez anos foi o desafio proposto pela Caravana UNE Brasil+10, que no dia 28 de março fez as malas e caiu na estrada para percorrer o território nacional, visitando mais de vinte universidades em doze estados. Na manhã de ontem (15), após quarenta e oito dias de viagem, a caravana estacionou na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) ao lado do Circuito Univercidade UEE-SP, para o seu último Aulão, contando com a presença dos dois maiores nomes da economia no país: Márcio Pochmann e Luiz Gonzaga Belluzzo.
Além dos dois convidados, a mesa de discussão foi composta pelo presidente da UNE, Daniel Iliescu, pelo presidente da UEE-SP, Alexandre Silva, pelo presidente do CA Visconde de Cairu, André Schifnagel Avrichir, e pela coordenadora da Caravana e diretora de comunicação da UNE, Virgínia Barros.

O debate deu-se em meio a um auditório com lotação máxima. Em consonância de ideias, Belluzzo e Pochmann, apontaram como principais pilares para o crescimento social brasileiro a regulamentação da atividade bancária e a democratização dos meios de comunicação. Nesse contexto, Daniel Iliescu fez uma provocação ao convidado, indagando quais seriam os compromissos que os banqueiros deveriam assumir para implantar mudanças realmente estruturantes no país.
Pochmann ressaltou que as mudanças no país vão acontecer por meio da política. ‘’Não queremos que o Brasil tenha uma trajetória de vôo de galinha. Para a próxima década os desafios são mais complexos. Temos de colocar em primeiro lugar o enfrentamento dos bancos’’, afirmou. ‘É impensável que uma nação com mais de 200 milhões de habitantes tenha apenas 170 bancos ao seu dispor. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem mais de 7 mil bancos. A concorrência é que beneficia a redução dos juros’’, salientou.
Falando sobre a econômia do país, o economista também comentou a política de redução de juros que o governo Dilma vem adotando. Por sua vez, Belluzzo reafirmou a necessidade de desvincular o projeto de desenvolvimento do país dos interesses do capital financeiro. ‘’Não se pode deixar aos critérios dos bancos privados a utilização da riqueza, esse é um problema estrutural da economia capitalista’’, explicou.
Regulamentar a mídia e defender a liberdade de expressão
Outro ponto muito debatido durante o Aulão foi a regulamentação dos meios de comunicação, controlados atualmente por uma minoria no país, o que afeta a livre expressão como um todo.
Para Virgínia Barros, o debate sobre liberdade de expressão envolve a necessidade de se pensar um novo marco regulatório. ”O Brasil é um país plural e diversificado. Suas diferentes opiniões e manifestações culturais precisam ter espaço. Para que isso ocorra, devemos ampliar o conceito de liberdade de expressão no Brasil”, afirmou.
Segundo Belluzzo, o que há de mais preocupante para o futuro do país é o bloqueio da livre manifestação.”Esse bloqueio frequentemente acontece pelos meios de comunicação, por isso, precisamos com urgência defender a liberdade de expressão, regulamentando o setor” declarou.
Nessa conjuntura, o debate foi finalizado após intensas considerações sobre a influência da mídia na vida do povo brasileiro. ”Temos que elevar o nivel de compreensão do povo em relação a sua realidade. A verdadeira luta pela democracia passa pela luta da democratização da comunicação”, enfatizou Belluzzo.
Camila Hungria e Renata Bars
Fotos: Fábio Bardella