A primeira travesti doutora do país, a cearense Luma Nogueira de Andrade, tomou posse na última segunda-feira (9/12) do cargo de professora efetiva da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), no município de Redenção, a 52 km de Fortaleza. Com a posse, Luma torna-se a primeira travesti doutora a fazer parte do quadro de docentes efetivos de uma universidade pública federal de acordo com a Unilab. “Como educadora, espero preparar os estudantes para lidar com as diferenças, principalmente no que diz respeito ao mundo do trabalho”, afirmou a professora.

Luma Andrade vai integrar o Instituto de Humanidades e Letras (IHL). A professora, que concluiu o doutorado em 2012 pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), é ainda a única travesti a ter o título de doutora no país. Antes de ingressar na Unilab, Luma era professora concursada da rede estadual de ensino e trabalhava como superintendente escolar da Secretaria de Educação do Estado do Ceará, em Russas.

“Busquei na educação formas de superar as dificuldades financeiras, sociais e, principalmente o preconceito por ser travesti. Hoje é um dia de vitórias, conquistas e superação. É um momento simbólico de libertação e respeito aos direitos humanos. É um marco para o movimento LGBT. Assim como os negros são discriminados, nós também sofremos discriminação social”, comentou.

A Coordenadora Especial de Políticas Públicas LGBT do Governo do Estado do Ceará, Andrea Rossati, esteve presente na cerimônia de posse. “Este é um momento muito caro tanto para Luma como para o movimento LGBT. Temos que adestrar tigres e leões para vencer o preconceito seja através da educação, da política e de outras formas”, afirmou.

Opinião da UNE

Para o Diretor LGBT da UNE, Lucas Maróstica, é nosso papel incentivar a participação e organização das TTs nos espaços do movimento estudantil e LGBT.

“Infelizmente, a realidade das travestis e transexuais do nosso país é muito dura. O Brasil é líder no ranking de assassinatos a LGBTs, motivados pela homofobia, dentre esse grupo as travestis e transexuais são as que mais sofrem com a violência, com a exclusão e com a falta de oportunidades. Não as vemos em grande número em nossas universidades, pois sabemos muito bem que o seu caminho na educação já se encerra, muitas das vezes, em nossas escolas, onde jovens e desamparadas são forçadas a abandonar os estudos por conta da opressão”, comentou.

“Nossa voz de indignação deve se fortalecer e através de mobilizações, possamos de fato construir um outro futuro para todas as LGBTs, passando por cima do conservadorismo e do fundamentalismo religioso que se assola em nossa sociedade, e que se faz presente nos parlamentos e nos governos”, completou Lucas. 

Outras conquistas do estado

Veio de Ceará outro exemplo de sensibilidade ao tema e avanço na discussão sobre a inclusão LGBT. No começo do mês de outubro, o site da UNE noticiou que estudantes trangêneros da UFC passaram a poder adotar nome social em documentos. 

Do G1 com informações da Redação