O Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que comemora seu centenário este ano, será o grande homenageado da escola de samba Unidos da Tijuca, nos desfiles do carnaval do Rio de Janeiro 2012. Além dele, toda a região Nordeste do Brasil também será consagrada.
Paulo Barros, carnavalesco da Unidos da Tijuca, explicou que o público presente na Sapucaí e também os que acompanham pela televisão vão conseguir observar toda a cultura nordestina, contemplando as inspirações que Luiz Gonzaga trouxe para as suas canções durante toda a sua vida. O rio São Francisco, o sertão nordestino, a festa do vaqueiro e as lavadeiras serão alguns dos temas que vão compor os carros alegóricos da Unidos da Tijuca.
A escola é originada a partir de diversos morros da Tijuca, tendo sua sede no Morro do Borel. Atualmente, possui uma quadra comercial localizada na Avenida Francisco Bicalho, no bairro do Santo Cristo, próximo à Rodoviária Novo Rio. Porém esta quadra, ao contrário do que muitos pensam, não é a sede oficial da escola. A oficial permanece no Borel, onde ainda são realizados ao menos três ensaios anuais, voltados especialmente para a comunidade.
Unidos da Tijuca ganhou o prêmio de melhor escola nos anos de 2005, 2006, 2008 e 2010.
Enredo exalta vida e obra de Luiz Gonzaga
No carnaval de 2012, a agremiação homenageia o centenário de Luiz Gonzaga, que é um dos seis compositores que formam o pilar da música popular brasileira, como Villa Lobos, Tom Jobim, Pixinguinha, Noel Rosa e Dorival Caymmi.
Todos os quatro sambas finalistas atendiam aos critérios técnicos exigidos para o enredo. Mas como só é possível levar uma composição para Avenida, o samba eleito para representar a Tijuca é autoria de Vadinho, Josemar Manfredine, Jorge Callado e Silas Augusto. A canção já se mostrava uma das favoritas logo no início das eliminatórias, conquistando sambistas da nossa e de diversas agremiações.
Confira a letra do samba-enredo vitorioso para o carnaval de 2012:
Boa Sorte Tijuca e Viva Luiz Gonzaga, o Rei do Baião
Nessa viagem arretada
“Lua” clareia a inspiração
Vejo a realeza encantada
Com as belezas do Sertão!
“Chuva, sol” meu olhar
Brilhou em terra distante
Ai que visão deslumbrante, se avexe não!
Muié rendá é rendeira
E no tempero da feira
O barro, o mestre, a criação!
Mandacaru a flor do cangaço…
Tem “xote menina” nesse arrasta pé
Oh! Meu Padim, santo abençoado
É promessa eu pago, me guia na fé
Em cada estação, a “triste partida”
Eu vi no caminho vida severina
Á margem do Chico espantei o mal
Bordando o folclore raiz cultural…
Simbora que a noite já vem, “saudades do meu São João”
“Respeita Véio Januário, seus oito baixo tinhoso que só”
“Numa serenata” feliz vou cantar
No meu pé de serra festejo ao luar…
Tijuca a luz do arauto anuncia
Na carruagem da folia, hoje tem coroação!
A minha emoção vai te convidar
Canta Tijuca vem comemorar
“Inté asa branca” encontra o pavão
Pra coroar o “Rei do Sertão”
Luiz Gonzaga: o Rei do Baião
Luiz Gonzaga nasceu em Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Foi um compositor popular e aprendeu a ter gosto pela música ouvindo as apresentações de músicos nordestinos em feiras e em festas religiosas.
Nos seus vários anos de carreira nunca perdeu o prestígio, apesar de ter se distanciado do palco várias vezes. Quando morreu em 1989 tinha uma carreira consolidada e reconhecida. Ganhou o prêmio Shell de Música Popular em 1987 e tocou em Paris em 1985. Seu som agreste atravessou barreiras e foi reconhecido e apreciado pelo povo e pela mídia.
No decorrer de vários anos, Luiz Gonzaga foi simbolizando o que melhor se tem da música nordestina. Ele foi o primeiro músico assumir a nordestinidade representada pela a sanfona e pelo chapéu de couro. Cantou as dores e os amores de um povo que ainda não tinha voz.
Mesmo com todo preconceito de uma geração, ganhou posição privilegiada entre os músicos brasileiros. Era a verdadeira representação da alma de um povo. Era a alma do nordeste cantando sua história.
Da Redação