Cerca de 5 mil trabalhadores promoviam um ato pacífico da CUT, CTB com o apoio da UNE, UBES, MST e diversos movimentos nesta terça-feira (07/04) em Brasília, contra o PL 4330 (PL), que pretende liberar a terceirização para todas as atividades empresariais no país, o que, na prática, precariza as condições de trabalho.
Por volta das 15h, quando o carro de som dos manifestantes manobrava para se posicionar diante da entrada principal do Congresso, a polícia legislativa atirou em um dos pneus para parar o veículo. Depois disso, PMs do Distrito Federal também entraram em cena com spray de pimenta e bombas de gás para dispersar a manifestação. A atitude da polícia gerou revolta entre os trabalhadores, que resolveram enfrentar a polícia, mesmo sob tiros de borracha. Vários trabalhadores foram feridos e alguns presos.
Para a CUT, a atuação truculenta de policiais diante do Congresso Nacional deixou clara a resposta que a atual presidência da Casa pretende dar a manifestações democráticas e que enfrentem interesses empresariais.
O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, declarou que a repressão policial é só uma parte lamentável de um Congresso cada vez mais conservador. “O lamentável aqui é o Congresso querer votar o PL 4300, onde o governo se coloca contra a base aliada, querer votar um projeto contra os trabalhadores. Resta a resistência e o enfrentamento”, afirmou.
O deputado estadual e ex-presidente da UNE, Orlando Silva (PCdoB-SP), esteve na manifestação. “A polícia foi provocativa, estava despreparada. E o presidente da Câmara erra ao fazer o tensionamento. Não pode ordenar que evacuem a Câmara de forma indiscriminada. Não pode os rapazes entrarem com a camisa do sindicato, mas eu vi vários engravatados entrando sem problema. Atitudes como essa vão isolar ainda mais o Congresso”, afirmou.
A presidenta da UNE, Vic Barros, também estava na manifestação. Ela acusou a ação das polícias como tentativa de desestabilizar o ato. “ Infelizmente, a Polícia Militar e a polícia legislativa não compreendem que manifestações pacíficas são parte da democracia de um país. Receberam os manifestantes com bombas e pancadaria, numa flagrante tentativa de desmobilizar o ato. É preciso rechaçar com veemência a atitude da polícia e exigir que a direção da Câmara dos Deputados respeite o direito dos trabalhadores e trabalhadoras se manifestarem”, disse.
Além de Brasília, houveram manifestações contra o projeto em 17 Estados. Em São Paulo o ato que começou por volta do meio-dia em frente ao Hospital das Clínicas e terminou na Praça da República, no centro da cidade. Na capital paulista o ato foi em conjunto com Frente Democrática em Defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).
PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO
O PL 4330, que amplia a terceirização em empresas e órgãos públicos, que deveria ser votado em regime de urgência ontem, e foi adiado para esta quarta-feira (08). A discussão já começou na Câmara dos Deputados.
Logo pela manhã, o presidente da CUT, Vagner Freitas, teve um encontro com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tentando negociar o adiamento do projeto. Porém, o parlamentar, que nesta terça-feira se vestiu de ditador e proibiu que o povo acessasse as galerias da Casa e enviou a PM para reprimir a manifestação, se mostrou irredutível em sua convicção de votar o projeto.
Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, “é lamentável que deputados e algumas centrais sindicais apoiem um projeto tão nocivo às relações do trabalho, sobretudo pelo que implica o projeto, que nada mais é do que o atestado da precarização e flexibilização dos direitos trabalhistas”.
No Brasil, os terceirizados recebem 24% a menos do que os que tem contratos diretos com as empresas, e possuem uma jornada semanal de 3 horas a mais bem como são as maiores vítimas de acidentes de trabalho. Dos dez maiores grupos de trabalhadores em condições análogas à de escravos resgatados entre 2010 e 2013, 90% eram terceirizados.
“A terceirização deveria ser regulamentada para assegurar igualdade de direitos entre terceirizados e efetivos – e não para ampliar a precarização das condições de trabalho, como quer Eduardo Cunha e sua turma com o PL 4330”, ressaltou a presidenta da UNE.
Com informações da CUT