Parece mesmo que Deus deixou de ser brasileiro. Nas últimas semanas o Brasil perdeu quatro importantes figuras para a nossa literatura, Ivan Junqueira, Rubem Alves, João Ubaldo Ribeiro e nesta quarta-feira (23/07)  morreu, o escritor, advogado, professor e dramaturgo Ariano Suassuna.

Não é exagero dizer que a UNE e os estudantes brasileiros estão de luto com a morte de Ariano Suassuna. A história da UNE com esse brilhante contador de histórias paraibano, mas que viveu desde os 10 anos de idade em Pernambuco vem de longe. Suassuna participou da 3ª Bienal da UNE, realizada em Recife, em fevereiro de 2003, que abordou a temática “Um encontro com a cultura popular”, e na sua programação discutiu a identidade cultural do povo brasileiro.

Anos depois, pouco antes da realização da 8ª Bienal da UNE, em novembro de 2012, a coordenação do Circuito Universitário de Cultura e Arte, o Cuca da UNE, encontrou com o escritor para falar sobre o tema escolhido para a 8ª edição do maior evento estudantil da América Latina, “A volta da Asa Branca”, em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga. “Luiz Gonzaga é um artista popular brasileiro que desempenhou um papel fundamental na renovação da música popular e merece ser reconhecido pela importância da sua cultura”, justificou o “pai” de Chicó e João Grilo, personagens de sua mais célebre obra, o Auto da Compadecida, adaptada para o cinema. Leia aqui matéria sobre o encontro. 

Já em 2013 o autor que retratou o universo do sertanejo brasileiro para o mundo em obras expressivas como “A Pedra do Reino”, “A Pena e a Lei” foi o homenageado das artes cênicas na 8ª Bienal dos estudantes que reuniu dez mil jovens de todo o Brasil em janeiro novamente em Pernambuco, nas cidades de Recife e Olinda.

Durante a 8ª Bienal ainda o grupo universitário de Artes Cênicas “Nóis da Casa” da Universidade Federal do Acre, encenou um texto dele: O Santo e a Porca. Adaptado da comédia latina Aulularia, de Plauto, o espetáculo conta a história de Eurição Engole-Cobra, um homem avarento e cego por dinheiro, que deposita a proteção de sua porquinha nas mãos de Santo Antonio. Relembre a Mostra de Artes Cênicas da 8ª Bienal da UNE.

A presidenta da UNE, Vic Barros, que é pernambucana afirmou que Suassuna era e continuará sendo, uma das pessoas mais queridas pelo povo do nosso estado e do nosso país. “Eu o conheci quando era do Diretório Acadêmico da Facvldade de Direito do Recife. Fomos reunir com nosso ilustre ex-aluno e, na ocasião, tive a oportunidade de ser editora da Revista Literária dos estudantes em sua homenagem. Nas horas que conversamos, contou várias histórias do seu tempo de estudante, inclusive que na Facvldade de Direito empreendeu diversas atividades culturais. Lembro que pensei: Tanto tempo depois, ainda é mais jovem do que a maioria de nós. Como era entusiasmado seu coração. Nossa saudade será eterna”, lamentou.

Cristiane Tada