Um país como o Brasil, marcado historicamente pela colonização, escravidão e mantendo, por séculos, uma das mais altas taxas de desigualdade social do planeta, precisa de muito esforço e união de todos para, um dia, bater no peito e se chamar de “ país desenvolvido”. Exatamente por isso, o debate sobre o desenvolvimento nacional – não somente aquele econômico para poucos, mas sim o desenvolvimento humano – precisa envolver diversos setores da sociedade e do movimento social, como a juventude.

A UNE, que em seus quase 75 anos tratou com prioridade máxima o tema do desenvolvimento do país, participará, entre os dias 23 e 25 de novembro, da 2a Conferência do Desenvolvimento, realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) em Brasília. O evento reunirá estudiosos, representantes do poder público, de organizações e movimentos diversos que contribuirão, cada qual com seu olhar, para formulação de conceitos, ações e avaliações a respeito do desenvolvimento do Brasil.

A UNE coordenará todo o eixo de Juventude da conferência, recebendo outras entidades, pesquisadores e convidados dessa área para trocarem suas experiências e discutir propostas. Segundo o diretor jurídico da UNE Renam Alencar, a participação do movimento estudantil é valiosa e uma das prioridades da entidade: ““É pauta da UNE ter um papel destacado neste evento, os estudantes devem ser os protagonistas no processo de desenvolvimento por qual o país passa”, afirma.”

Para se inscrever e participar da Conferência é necessário acessar o site do IPEA

A UNE E O TEMA DO DESENVOLVIMENTO

A primeira grande colaboração da UNE para as políticas de desenvolvimento do Brasil aconteceu na década de 50, com a campanha “O Petróleo é Nosso”. Durante aquele período, discutia-se a entrega desse patrimônio mineral do país a empresas estrangeiras, proposta que teve forte oposição dos estudantes, com grandes passeatas e atos públicos. A proposta foi derrotada e, alguns anos depois, foi criada a Petrobrás.

No início dos anos 60, a UNE foi referência no movimento das forças populares que defendiam as chamadas Reformas de Base para o país, um conjunto de medidas para promover o desenvolvimento humano no campo, nas cidades, nas escolas e universidades. Já na década de 90, a luta dos estudantes foi contra as privatizações dos setores estratégicos nacionais, principalmente seus recursos minerais.

Atualmente, a UNE aposta todas suas fichas na melhoria da educação pública como chave para o verdadeiro desenvolvimento do Brasil. Segundo a entidade, para superar os problemas históricos e estruturais do país, é imprescindível garantir 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para serem investidos, exclusivamente neste setor. 

SOBRE A 2a CONFERÊNCIA DO DESENVOLVIMENTO

A 2ª Conferência do Desenvolvimento será realizada no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília (DF). O objetivo é criar um espaço nacional de debates, com base na produção aplicada do Ipea, mas aberto a estudantes, profissionais, agentes públicos, estudiosos, pesquisadores, especialistas, professores, legisladores, entre outros.

A Conferência pretende, também, ter um papel pedagógico sobre o que vem a ser desenvolvimento. Parte do encontro permitirá que a sociedade em geral, de todas as idades, visite instalações, projeções, de forma a conhecer indicadores, pesquisas e modelos de desenvolvimento. Entre os temas debatidos estarão infra-estrutura, sustentabilidade ambiental, macroeconomia, proteção social, fortalecimento da democracia, política externa, garantia de direitos e oportunidades.

Artênius Daniel