O jornal Folha de São Paulo lançou nesta segunda-feira (09/9) o Ranking Universitário Folha 2013. Esta é a segunda edição da avaliação que classifica 192 universidades do país nos quesitos pesquisa, inovação, internacionalização, ensino e mercado, subdivididos em 16 subindicadores, que podem ser consultados separadamente. Confira a pesquisa aqui.

Para a presidenta da UNE, Virgínia Barros, não é novidade a falta de investimento nas universidades fora do eixo sul-sudeste. Nenhuma instituição de ensino da região Norte, por exemplo, aparece entre as melhores do País. “A UNE, como entidade nacional que está em todos os Estados do Brasil, sabe das dificuldades e da falta de investimentos, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país”, afirmou.

A s regiões Sul-Sudeste concentram 19 das 25 melhores universidades do país. São Paulo aparece à frente, com cinco instituições, seguido por Rio de Janeiro (quatro), Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul (três cada) e Santa Catarina (uma). O Nordeste tem quatro (Bahia, Ceará, Paraíba e Pernambuco) e o Centro-Oeste, duas (Goiás e Distrito Federal). USP, UFRJ e UFMG encabeçam o ranking.  

Vic Barros observou ainda as universidades federais que se destacaram no ranking e tiveram investimentos do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). “Em alguns lugares vemos como o Reuni trouxe resultados, como no ABC Paulista, com a Universidade Federal, e em Pelotas, no Rio Grande do Sul, com a Ufpel”, avaliou. 

Pesquisa

O levantamento também confirma que apesar dos esforços do governo federal em disseminar a produção científica por outras regiões do país, a maior parte da pesquisa nacional de qualidade continua concentrada no Estado de São Paulo. Das dez primeiras colocadas nesse indicador, cinco são paulistas – todas as universidades estaduais (USP, Unicamp e Unesp) e duas federais em São Paulo (Unifesp e UFSCar).

A presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Luana Bonone, afirmou que na pós-graduação essa questão regional também tem grande impacto.

“As assimetrias regionais presentes na pós-graduação brasileira são um escândalo: a soma dos programas de pós-graduação das Regiões Norte e Centro-Oeste não chegam a 10% do total nacional. Isso tem um impacto imenso em termos de desenvolvimento regional e desenvolvimento das potencialidades do nosso povo”, denunciou.

Pesquisadores de outros Estados não vacilam ao apontar o fator que infla esse desempenho: a estabilidade na política de financiamento. Desde a década de 1960, São Paulo tem sua agência de fomento específica, a Fundação de Amparo à Pesquisa.

Mantida com dinheiro do governo estadual, ela financia trabalhos de qualquer faculdade paulista, incluindo as privadas.

A agência paulista recebe, por lei, 1% da arrecadação estadual, livre de contingenciamentos do Executivo. É algo em torno de R$ 1 bilhão, equivalente a todo o orçamento da Federal da Bahia.

As estaduais paulistas ainda dividem 9,57% do ICMS, livres de contenção. Só a USP deve receber neste ano R$ 4,3 bilhões, valor equivalente à soma dos recursos das federais do Rio (UFRJ), Minas (UFMG) e Bahia (UFBA).

Com verba garantida, a USP consegue manter um programa próprio de financiamento de pesquisas, que contou com R$ 200 milhões entre 2010 e 2012.

Da Redação com informações do  jornal Folha de São Paulo