Vários estudantes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) participaram de uma ato de ‘descomemoração’ do golpe militar em que retiraram o busto do militar Rondon Pacheco que era  homenageado pela universidade. Rondon foi o militar que decretou o Ato Institucional número 5, período de mais terror do regime de exceção. A UNE manifesta seu apoio aos estudantes em nota:

 EM APOIO AOS ESTUDANTES DA UFU

A União Nacional dos Estudantes manifesta seu apoio ao “Ato de repúdio aos 51 anos do Golpe Civil-Militar no Brasil”, que ocorreu no último dia (01/04/15) na Universidade Federal de Uberlândia, bem como aos estudantes que o promoveram.

A Ditadura de 1964 foi marcada por arbitrariedade violenta e violência injustificável. O pensamento foi cerceado, a liberdade restringida e não houve um único direito individual que não fora violado.

Como consequência, as universidades sofreram intensamente, pois o fomento à livre discussão tornou-se crime, de modo que professores, estudantes e entidades passaram a ser caso de polícia. A própria União Nacional dos Estudantes foi oficialmente fechada, além de enfrentar a perseguição de seus militantes em todo o país.

Por isso, entendemos que a retirada do busto de Rondon Pacheco, por estudantes da Universidade Federal de Uberlândia, transparece como ato político de correção histórica, no sentido de reparar a injustiça das homenagens feitas a ditadores e seus cúmplices, especialmente quando o Estado se omite, como no caso em questão. Rondon foi quem decretou o Ato Institucional número 5, que suspendeu direitos e garantias individuais e, por isso mesmo, já há três décadas, seu nome deveria ter sido expurgado dos espaços públicos.

Para o ato de retirada do busto de Rondon do ambiente universitário, foi exigida grande coragem, necessária para desafiar o silêncio da História e enfrentar todo um sistema normativo. Por consequência, manifestamos nosso apoio aos estudantes da UFU e expressamos total repúdio a qualquer tentativa de punição que eles possam vir a sofrer.

Pela memória de todos militantes estudantis assassinados durante a Ditadura Militar, não admitiremos que nenhum estudante seja vítima de perseguição, sobretudo quando for para reafirmar Memória, Verdade e Justiça como elementos fundamentais para a efetivação da nossa democracia.

Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.

UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES