A Caravana UNE Brasil+10, que esteve presente em Belo Horizonte na última quinta-feira, dia 3, apoiou, junto a alguns estudantes da UFMG e professores da universidade a luta a favor da democratização do acesso à política de cotas.

A intenção do ato, segundo a professora do departamento de ciência política da UFMG, Marlise Matos, é reivindicar pela permanência da política de bônus de 10% para alunos auto declarados pobres e negros, buscando permitir o acesso dos mesmos à universidade.

“Ainda é tímida, mas a política de bônus pretende, mais pra frente, ser mais radical, uma vez que o Brasil é um país composto majoritariamente pela população que carece de oportunidade para a formação superior. Por isso é importante democratizar o acesso do ensino, especialmente das escolas públicas.”, diz a professora.

O encontro ocorreu em frente à reitoria da UFMG logo após o Aulão+10. Também estavam presentes no ato a Diretora da UNE e coordenadora da caravana Virgínia Barros e o Presidente daUnião Estadual dos Estudantes de Minas Gerais, Rafael Leal.

Segundo Rafael, “A UNE sempre deve estar conectada com as necessidades dos estudantes. A caravana, dessa forma, cumpre um papel fundamental para pensar o Brasil, passando pelas universidades e acompanhando de perto essas necessidades”.

Para Vic, “A discussão das cotas sociais e raciais na universidade está diretamente relacionada à necessidade de radical democratização do ensino superior brasileiro, que ainda é bastante excludente. Diz respeito, portanto, à inclusão de setores que historicamente foram excluídos da universidade. O ato de hoje refletiu bastante este desafio”.

Momentos antes, a professora da Faculdade de Educação da universidade e membro do CAIS – Comissão de Acompanhamento para medidas de Inclusão Social, Nilma Gomes pediu espaço para a UNE, antes do início da atividade da caravana, para entregar pessoalmente ao reitor Clélio Campolina a petição pública realizada online com 1308 assinaturas e núcleos externos que apoiaram a causa.

“Essa política de bônus já acontece há 4 anos e serve para, além de implementar a discussão do bônus e do acesso à permanência dos alunos nas universidades, discutir o que é o preconceito e a descriminalização dentro da universidade”, ressalta Nilma.

Um grande alto-astral invadiu osrepresentantes do ato, que ali se mantiveram enquanto ocorria o Conselho para a decisão da permanência do bônus. De acordo com o reitor da UFMG, “Este ato pode ser considerado comemorado”.

De Belo Horizonte, Mayara Monteiro
Fotos: Fábio Bardella e Ivan Russo