No dia 07 de janeiro de 2014 o Ministério da Educação (MEC) voltava de recesso sob comando do ministro Aloizio Mercadante quando estudantes da Universidade Gama Filho e do Centro Universitário da Cidade, (UniverCidade) ocuparam pacificamente o MEC em Brasília como última alternativa de pressão solucionar os problemas enfrentados nas instituições desde que o Grupo Galileo assumiu a mantença de ambas em 2011.

Foram anos de inúmeras greves, falta de professores, falta de condições de ensino, falta de segurança nos campus e total descaso por parte da administração. Uma CPI foi aberta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para apurar denúncias, e os estudantes já tinham realizado a maior ocupação de reitoria de universidade da história do movimento estudantil brasileiro: 78 dias intensos acampados no prédio de Piedade onde funcionava a Universidade Gama Filho.

Na capital federal após sete horas de ocupação do MEC, eles foram recebidos pelo ministro Aloizio Mercadante que sinalizou a possibilidade da UGF e UniverCidade serem descredenciadas. A proposta não atendeu às reivindicações dos estudantes. Um grupo continuou em Brasília para pressionar o MEC e com objetivo de serem recebidos pela presidenta Dilma Rousseff. No Rio de Janeiro, cerca de 1500 estudantes marcharam da Candelária até a Cinelândia.

“Na reunião com o Ministro garantimos uma comissão que acompanhasse o processo de transferência assistida pautando as demandas e as necessidades dos estudantes bem como funcionários e professores da instituição”, lembra o diretor de Universidades Privadas da UNE, Mateus Weber.

Depois disso os estudantes ocuparam o gramado em frente ao Palácio do Planalto no dia 15/01. Esperando serem recebidos pela presidenta da República, em uma ocupação pacífica, superando a forte chuva, o frio, os estudantes mantiveram a manifestação até a noite do dia 20/01, quando a polícia, em uma ação desastrosa e violenta prendeu os estudantes de forma truculenta. Treze foram presos, seis homens e sete mulheres, agredidos com spray de pimenta. Todos foram encaminhados para a sede da Polícia do Senado, que fica dentro do Congresso Nacional. Depois de muitas intimidações os estudantes prestaram depoimento acompanhados por advogados, e só foram liberados em torno das 3h da madrugada.

Para o diretor da UNE a batalha valeu a pena. “Lutamos até o fim para garantir o direito à educação dos estudantes da UniverCidade e da Gama Filho. Nossa ocupação se tornou um símbolo da luta contra a mercantilização do ensino superior privado no país e colocou o debate do ensino superior em outro patamar. Aprofundamos o debate sobre a necessidade da aprovação imediata do Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior – INSAES, para garantir o mínimo de qualidade na educação superior brasileira, e que o estado possa dar respostas imediatas ao descaso e sucateamento das instituições, bem como má administração financeira dos tubarões de ensino. Que casos como a Gama Filho e tantas outras instituições não aconteça novamente”, ressaltou.

Após o descredenciamento das instituições controladas pelo Grupo Galileo a alternativa dada pelo MEC para os alunos concluírem os cursos foi o programa de transferência assistida. Os estudantes foram realocados em instuições de ensino que ofereciam mensalidades e grades curriculares semelhantes. Os cursos das duas universidades descredenciadas foram absorvidos pelas universidades Veiga de Almeida (UVA), Estácio de Sá (Uesa) e a Faculdade de Tecnologia Senac-RJ (Fatec), que integram o Consórcio Rio Universitário.

Para os estudantes esta ainda não foi a melhor das soluções. Salas lotadas, disciplinas sem ementas, falta de aulas práticas e perda de bolsas de estudo foram alguns dos problemas relatados pelos estudantes.

“A bandeira das entidades estudantis sempre foi a federalização dessas instituições e não desistimos da federalização de instituições falidas, essa luta segue até hoje”, afirmou Mateus.

 Da Redação