A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) realizou na última quinta-feira (21/3), em Chapecó, a primeira mesa-redonda com a finalidade de debater o tema moradia estudantil.

De acordo com o secretário especial de Assuntos Estudantis, Maurício Fernando Bozatski, a Comissão para Elaboração da Política de Moradia Estudantil fez visitas em diversas instituições de ensino público federal. “Visitamos instituições consolidadas com vasta experiência no tema. Pudemos partilhar de ações que deram certo e de outras menos exitosas, mas que serão válidas e facilitarão esse processo aqui na UFFS”, destacou. “A UFFS abre esse debate com a comunidade acadêmica por entender que o assunto é de extrema importância e garantirá ao aluno a moradia permanente, diferente do auxílio, que é transitório. O debate é aberto por entendermos e termos clareza que a assistência estudantil não é só dever de uma secretaria, mas sim de toda a instituição, por isso inclusive temos na comissão que pensará a moradia estudantil, representantes de diversos setores da UFFS”, lembrou Bozatski.

Pela segunda vez visitando a UFFS, o presidente da União Nacional do Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, também participou do evento. “Tenho a convicção que esse debate revela especialmente o posicionamento democrático de fazer universidade da UFFS. A composição social da universidade brasileira vem mudando substancialmente, a UFFS é exemplo disso, e por esse motivo é preciso pensar em políticas de assistência estudantil que acompanhem essa mudança. As políticas e, principalmente, os investimentos nesse campo têm que avançar concomitantemente à ampliação de acesso que o ensino superior público no Brasil”, observou. “A UNE testemunha e comemora esse debate que está acontecendo na UFFS, precisamos expandir ainda mais ouvindo também a comunidade acadêmica”, finalizou.

Para contribuir no debate, relataram experiências o superintendente de Assuntos Estudantis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Antônio José Barbosa de Oliveira e o pró-reitor de Assuntos Estudantis da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Vilmar Alves Pereira.

O que pensam os alunos da UFFS

Matheus Henrique Trichez, 18 anos, é estudante do curso diurno de Ciência da Computação do Campus Chapecó. Ele mora em Chapecó para estudar e, para baratear os custos com moradia, divide um apartamento com um colega. “Ainda é caro morar em Chapecó e nem sempre o custo benefício é positivo, muitos imóveis não atendem a nossa necessidade. Quando tivermos a moradia estudantil na Universidade facilitará muito, pois além da economia financeira, estaremos dentro do campus”, avaliou. “Acho que o debate com os alunos é um bom passo dado pela UFFS, pois somos nós que iremos utilizar o espaço, então nada mais justo que participarmos do debate”, disse Trichez.

De São Paulo (SP), para Chapecó (SC), segundo a estudante Patrícia Schons, a diferença financeira para gastos com moradia não muda muito. “Quando cheguei aqui tive que ficar hospedada em hotel até achar um lugar para morar pois o custo era e ainda é alto. Não tenho parentes aqui, por isso hoje divido a casa com mais cinco pessoas”, conta. “Hoje cerca de 70% dos alunos pagam aluguel para morar, pensar em uma política de moradia estudantil é muito importante para suprir essa demanda”, finalizou Patrícia.

Comissão aplica questionário

O representante discente na Comissão, Rafael Leiva, apresentou um questionário aplicado a 829 alunos da UFFS. De acordo com o levantamento, 67% dos alunos moram em imóveis alugados e 44% tem renda familiar igual ou inferior a R$ 1.396,00. Outro dado levantado é que 42% dos alunos que responderam moram em repúblicas com amigos e 32% moram com familiares. 81% dos alunos disseram que encontram dificuldades para se manter.

Ainda durante sua fala, Leiva apresentou o projeto da UFFS para o bloco de moradia estudantil, que conta com 96 apartamentos para duas pessoas, com banheiro privativo, e lavanderia e cozinha coletiva.

De acordo com o Secretário de Assuntos Estudantis, o próximo passo da comissão é apresentar uma minuta de regulamento para o acesso à moradia. Ele também ressaltou que esse foi o primeiro debate de muitos que estão previstos.

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