Com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) e a União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) realizaram na terça-feira (2/10), uma manifestação pelas ruas de Jundiaí, interior de São Paulo, à favor de uma universidade pública de qualidade no município. 

Cerca de mil estudantes da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC) e de 15 escolas públicas de Jundiaí percorreram as ruas centrais da cidade, carregando cartazes e apitos exigindo melhorias e mais investimento na educação. 

Durante a caminhada, no carro de som universitários e secundaristas rebatiam a proposta da prefeitura local em criar oferecer um único curso da Universidade de São Paulo (USP) com 40 vagas. 

O curso de informática, que já é oferecido pela FATEC no município, seria abrigado em uma sala da antiga oficina da Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), onde funciona uma unidade do Poupatempo, secretarias da prefeitura e a própria FATEC. Os estudantes denunciam a perda de três cursos na Faculdade de Tecnologia por conta do local das instalações do “campus” da USP. 

“É preciso ir às ruas e mostrar a indignação e a capacidade de organização da juventude para comover toda a sociedade sobre a necessidade em oferecer uma universidade pública de verdade. Nós queremos uma USP completa e não um puxadinho”, afirma o secretário geral da UEE-SP, Fábio Garcia. 

Os estudantes pedem a construção da Universidade Federal de Jundiaí e Região (UNIFEJ). Trâmita desde 2010 na Câmara dos Deputados de São Paulo, um Projeto de Lei nº 7954, de autoria do deputado estadual Vicentinho (PT/SP) que prevê a edificação dela.  

 

“A situação educacional na cidade é preocupante. Hoje são mais de 39 mil jovens fora da universidade, o que corresponde à 40% da juventude local. O prefeito da cidade vem se vangloriando por trazer a USP para cidade quando é, na verdade apenas 40 vagas de um único curso”, conta a presidente da UPES, Nicoly Mendes. 

Os estudantes não obtiveram nenhuma resposta direta das autoridades locais. Pela mídia o prefeito Jundiaí Miguel Haddad apenas afirmou que eles ” passaram dos limites”.

Durante participação em comício na tarde desta quinta-feira (4/10), o governador do estado Geraldo Alckmin (PSDB) foi questionado sobre a proposta de construção de um campus da USP em Jundiaí. Esquivando-se da pergunta, o governante apenas lembrou que, apesar das conversas com o reitor da universidade, a USP opera com autonomia nas decisões. 

Um novo ato na Praça da Matriz está marcado para a próxima segunda-feira (8/10). No encontro, as lideranças esperam reunir um número ainda maior de estudantes para debaterem em praça pública as próximas ações do movimento. Segundo o presidente da UEE-SP, Alexandre Silva as mobilizações continuarão até que se tenha uma resposta positiva para a classe estudantil: “enquanto a educação não for uma das principais prioridades, haverá estudantes nas ruas manifestando indignação”.

Por meio das redes sociais o movimento estudantil local está mobilizando o encontro. Acompanhe pela página “Até quando Esperar” no Facebook.  

Assista ao vídeo da mobilização da UEE-SP e UPES pelas ruas de Jundiaí-SP: 

 
 Thatiane Ferrari (UEE-SP)