Eleita em reunião da diretoria executiva da União Estadual dos Estudantes de SãoPaulo (UEE-SP) como a “Instituição de Ensino inimiga da educação”, a Anhanguera entrou na ”mira” dos estudantes. Nesta segunda-feira (23), acontecerá um ato, organizado pela UEE, no antigo campus Uniban da zona norte, localizado na Rua Maria Cândida, 1813 – Vila Guilherme, a partir das 18h, quando os estudantes vão tomar a entrada do campus com megafones em mãos e gargantas preparadas para gritar em uníssono pela melhoria do ensino oferecido pela instituição.
Segundo o presidente da entidade estudantil, Alexandre Silva, a expectativa é que as mobilizações se intensifiquem.”Não é à toa que elegemos o Grupo Anhanguera como inimigo da educação. Cada dia mais eles se mostram donos deste título pela forma como tratam os estudantes. Por não existir diálogo nem acordo, vamos ampliar cada vez mais as paralisações e mobilizações na porta dos campus”, afirmou.
A UEE-SP acredita ser inaceitável o tratamento da educação como mercadoria, lutando sempre à favor de um ensino superior de qualidade com espaço aberto para o diálogo entre instituição e estudantes, e por isso vem coordenando uma série de atos contra Grupo Anhanguera que, durante a tramitação da compra dos 13 campi da Universidade Bandeirantes (Uniban), demitiu cerca de 1500 professores, todos eles mestres ou doutores, modificou a grade curricular e uniu salas de aulas provocando superlotação. Já ocorreram manifestações em diversas unidades do Grupo na capital, interior e região do ABC, lutando contra as práticas mercantilistas adotadas pela instituição.
A instituição que se tornou a maior rede de ensino superior privado do país, pretende contratar novos docentes com titulações menores e hora/aulas mais baixas, para suprir os cortes realizados. Pela lei, todas as universidades devem ter em seu quadro de funcionários 1/3 de professores com especialização em mestrado ou doutorado, porém os profissionais com estas qualificações que não foram demitidos, deverão ter suas cargas de trabalho reduzidas, diminuindo assim seus salários.
Para a vice-presidente da UNE em São Paulo, Laís Gouveia, as mobilizações são de extrema importância. “Devemos denunciar, pois, entrando no site da insituição e estudando os itens que lá constam, só se fala de compra de ações e lucro, não há nada falando sobre a excelência da educação, grade curricular qualificada ou outros itens que são fundamentais para garantir uma mínima qualidade de ensino. Por isso, temos que cobrar a regulamentação do ensino privado, tendo em vista que, infelizmente, o segundo maior lobby do Congresso é composto pelos tubarões de ensino”, pontuou.
UNE PELA REGULAMENTAÇÃO DO ENSINO PRIVADO
A UNE defende um projeto de ensino de qualidade e democrático para o Brasil. Mirando esse objetivo, tem como principal campanha a destinação de maiores investimentos, 10% do PIB e 50% do Fundo Social do pré-sal, para educação. Porém, ainda há uma grande defasagem do ensino brasileiro, em especial o ensino privado. Para o presidente da UNE, Daniel Iliescu, a principal medida para defender a qualidade do ensino superior privado é uma regulamentação específica: ‘ É preciso haver transparência na planilha financeira das instituições, critérios justos para o reajuste de mensalidades, além da qualidade do corpo docente. Tais conquistas só serão possíveis quando o ensino privado for devidamente regulamentado no país’’, declarou.
Renata Bars