Trabalhadores estadunidenses da empresa multinacional fabricante de automóveis japonesa, Nissan, e representantes do United Automobile Workers (UAW) -entidade que reúne empregados do setor automotivo dos Estados Unidos, Canadá e Porto Rico- estão no Brasil para encontros com dirigentes sindicais, representantes de movimentos sociais e do poder público. Desde o ano passado, eles têm exposto o que ocorre nas unidades da montadora de carros na terra do Tio Sam. São más condições de trabalho e enorme dificuldade para a atuação sindical.
Os trabalhadores da Nissan em Canton, Mississippi, EUA, querem ter representação sindical, livres de intimidação. Na última semana, alguns deles estavam em Brasília e participaram da assembleia da Jornada de Lutas da Juventude Brasileira, onde conversaram com representantes da UNE e de outros movimentos para pedir apoio dos jovens do país na luta por melhorias na condição de trabalho em todo o mundo.
O secretário de Juventude da Central Única dos Trabalhadores, Alfredo Santos Jr., explica que por meio de uma parceria com a CUT e o sindicato UAW tem sido realizada uma campanha internacional de denúncia das situações precárias a que estão submetidos os trabalhadores do Mississipi, Estado pobre dos EUA, onde grande parte é negra. “É fundamental que o movimento social brasileiro se una em solidariedade internacional no sentido de fortalecer a classe e procurar soluções”, ressaltou.
Para o vice-presidente da UNE, Mitã Chalfun “a ideia de que nos EUA o capitalismo atingiu um patamar elevado do bem estar social para todos e todas é uma farsa”. Mitã conta que na conversa com os representantes do UAW, Rafael Messias Guerra e Joe Simoes, deu para se ter uma ideia da realidade. “Vimos como o capitalismo explora e oprime a classe trabalhadora, um dos exemplos gritantes é que os trabalhadores que trabalham menos de quatro horas diárias não podem sequer ir ao banheiro para não deixar a linha de produção e para isso chegam a trabalhar com fraldas para não parar a produção e ir ao banheiro”, contou.
“A UNE, que sempre teve solidariedade internacionalista, apoia e se coloca na luta junto com os trabalhadores estadunidenses ao lado da juventude trabalhadora para organizar a luta dos movimentos sociais dos Estados Unidos. A luta de todos e todas jovens do mundo nos une”, disse Mitã.
No Brasil a campanha Faça Melhor Nissan pode ser acompanhada pelo facebook
GREVE NOS FAST FOODS
Segundo matéria do correspondente Thomas Frank do Le Monde Diplomatique Brasil a crise das grandes empresas multinacionais nos EUA parece cada vez maior e ninguém mais ignora a política salarial perversa em vigor no setor de fast-food, que emprega 13 milhões de pessoas nos Estados Unidos. O movimento social é inédito nos EUA e se alastra pelo setor de comida rápida nos Estados Unidos há mais de um ano. Começou no verão norte-americano passado com Burger King, McDonald’s e depois KFC. Apesar da legislação americana que não favorece a sindicalização e dos trabalhadores ignorarem totalmente práticas de organização operária, em 5 de dezembro de 2013 a movimentação culminou em uma greve nacional em mais de cem cidades do país.
Da Redação com informações do Rede Brasil Atual e Le Monde Diplomatique Brasil