A UNE sempre foi da opinião de que a universidade é estratégica para o desenvolvimento do país e de que o fortalecimento do seu caráter público, a democratização do seu acesso e a regulamentação do setor privado são eixos fundamentais para que a educação superior brasileira possa produzir conhecimento, pesquisa e extensão favoráveis ao Brasil.
Se é verdade que as universidades públicas tiveram alguns avanços nesse sentido, nos últimos anos, o mesmo não se pode dizer da rede privada de ensino superior. Para se ter uma noção, cerca de 1.317.000 matriculas no ensino superior privado estão nas mãos de apenas quatro grupos estrangeiros, o que corresponde a mais de 25% do número total de estudantes das universidades particulares. Como um carro sem freio, a desnacionalização da educação vai se apropriando velozmente dessa rede.
“A própria lógica do capital vem estimulado o movimento de fusões e a formação de grandes grupos, que passam a dominar o mercado privado como grandes tubarões do ensino. Além de rebaixar a qualidade da educação, este processo coloca em risco a soberania nacional, na medida em que fundos internacionais passam a controlar um setor estratégico para o desenvolvimento do país”, ratifica Michelle Bressan, secretaria geral da UNE.
Nesse processo, as escolas realizam o que chamam de reestruturação administrativa, formando verdadeiros holdings. A maior lucratividade é baseada na precarização das condições de trabalho de professores e funcionários, na ausência de condições para desenvolvimento de pesquisa, o que, para a UNE, provoca graves prejuízos na formação dos estudantes.
Os grupos economizam, por exemplo, com a demissão de professores mestres e doutores. Só em São Paulo, no último ano foram mais de 1.500 professores substituídos por graduados e especialistas, com salários inferiores. Os grupos estrangeiros também cortam custos com a substituição de laboratórios e bibliotecas por salas de aula, além de superlotar as já existentes.
Desnacionalização em números
– 76,6% dos estudantes matriculados no ensino superior brasileiro – ou mais de 4,9 milhões de pessoas – estão na rede privada de ensino.
– Destes, cerca de 1.317.000 matriculas estão nas mãos de apenas quatro grupos estrangeiros (Anhaguera Educacional Participações S/A, gerida pelo Citigroup; Estácio Participações, do GP Investments; Kroton Educacional e Laureate)
Uma campanha urgente
O cenário reforça a urgência da luta contra a desnacionalização da educação brasileira. O posicionamento do governo brasileiro tem que ser acompanhado de medidas fortes para conter a corrida desenfreada dos tubarões de ensino por mais lucro, gerando menos qualidade.
A UNE defende a educação como um direito de todas as pessoas e condição primordial para uma sociedade mais igualitária. A entidade convida todos os estudantes para a campanha “EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA”, criada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE) e que leva essa luta para os quatro cantos do país.
Saiba mais:
http://www.contee.org.br/desnacionalizacao/
Da Redação