O jornal britânico The Guardian informou nesta segunda-feira que a líder estudantil chilena Camila Vallejo, 23 anos, foi escolhida pelos leitores do periódico como personalidade do ano 2011. A ex-presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile recebeu 78% dos votos em uma pesquisa destinada aos leitores.
Camila superou personalidades relevantes, como o tunisiano Mohamed Bouazizi, que ateou fogo ao próprio corpo e, assim, deu origem à onda de revoluções democráticas no mundo árabe. Depois de a revista americana Time ter nomeado a figura do “manifestante” como personagem central do último ano, o jornal britânico pediu a seus leitores que propusessem alternativas a essa decisão.
Além de Camila, que recebeu a maior parte dos votos, e Bouazizi, escolhido por 14,9% dos participantes, também foi sugerido o nome de Tariq Jahan, pai de uma das vítimas dos distúrbios no Reino Unido, que fez um pedido público para a calma. Outros destaques no jornal foram a líder opositora birmanesa Aung San Suu Kyi; a chanceler alemã, Angela Merkel; a população japonesa de Fukushima (região atingida pelo terremoto de março); e a ativista queniana Wangari Maathai, Prêmio Nobel da Paz, falecida neste ano.
Camila Vallejo, estudante de Geografia, foi uma das faces visíveis das mobilizações protagonizadas por estudantes e professores que eclodiram há sete meses no Chile para reivindicar mudanças nas políticas educacionais do país.
Os manifestantes exigem a gratuidade da educação pública e uma melhora da qualidade do ensino, assim como a proibição de lucros pelas universidades privadas.
Há duas semanas, Camila perdeu as eleições da Federação de Estudantes da Universidade do Chile nas quais buscava ser reeleita presidente e, desde então, ocupa a vice-presidência da organização.
Camilla Vallejo e a UNE

Para homenagear a força e a presença feminina na luta política por melhorias na educação, a estudante chilena foi convidada especial da UNE para participar da #marchadosestudantes, ato que encerrou em Brasília a atividade nomeada pela entidade de “Agosto Verde Amarelo”.
A marcha histórica contou com mais de 12 mil estudantes nas ruas do planalto central, que reivindicavam investimento de 10% do PIB para educação; melhoria na qualidade do ensino e aplicação de 50% dos recursos do Fundo Social do Pré-sal para o setor.
Durante o dia, Camila Vallejo foi recebida pela deputada Manuela D´Ávila em uma audiência na Comissão de Direitos Humanos, onde denunciou a repressão do governo de seu país e participou de uma audiência com o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, que se comprometeu em criar uma comissão externa de parlamentares brasileiros para acompanhar a situação no Chile.
Aproveitando a presença da militante, alguns estudantes ainda se uniram em frente a embaixada chilena para enviar uma carta aos jovens do país vizinho em solidariedade a luta por uma educação gratuita e de qualidade para todos.
Da Redação, com Portal Terra