Basta uma rápida caminhada pelas principais ruas de São Carlos para perceber a urbanização e o crescimento da cidade. Apelidada carinhosamente de Sanca, o município se destaca na região por possuir um grande número de universidades públicas e privadas, o que lhe concedeu o status de Cidade do Conhecimento. De seus 223 mil habitantes, mais de 25.000 são estudantes vindos de todas as regiões do Brasil e até do exterior.

Devido ao vigor acadêmico e a excelência de ensino em suas universidades e centros de pesquisas, São Carlos apresenta uma grande concentração de pesquisadores e cientistas: um doutor (PhD) para cada 180 habitantes. Para se ter uma ideia da positividade deste número, no Brasil a relação é de um doutor para cada 5.423 habitantes.

Com tantas mentes pensantes, seria impossível não envolver a cidade de São Carlos, mais precisamente a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no Circuito UniverCidade da UEE-SP para tratar de um tema que a cada dia mais pede soluções rápidas e de qualidade, a questão da “tecnologia de transporte e mobilidade urbana”.

Conduzidos pelo presidente da UEE-SP, Alexandre Silva foram convidados para falar sobre o assunto o vice-prefeito de São Carlos, Emerson Pires Leal , o diretor da Secretaria de Transporte e Trânsito da Prefeitura Municipal de São Carlos, Eduardo Giannetti, o arquiteto e sócio- fundador da TC Urbes, Ricardo Corrêa e o assessor de Políticas para a Juventude de Araraquara , Walter Strozzi.

Ressaltando a conquista da lei 12.587/2012 específica à mobilidade urbana, que entrou em vigor no último dia 13/04, o diretor da Secretaria de Transporte e Trânsito da cidade, observou os avanços que poderão surgir nesta área. “O excesso de veículos é um dos maiores problemas da mobilidade urbana em todo o país, a poluição causada pela emissão de gases e o congestionamento não é maior do que os acidentes automobilísticos que matam silenciosamente. Por isso é importante agradecer a iniciativa do governo em sancionar esta lei, priorizando a acessibilidade e a mobilidade das pessoas de forma sustentável”, aponta Giannetti.

A legislação, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, dá prioridade a meios de transporte não motorizados e ao serviço público coletivo, além da integração entre os modos e serviços de transporte urbano e investimento financeiro no setor.

 Transporte individual x coletivo

Em função do desenvolvimento econômico do país, têm aumentado desenfreadamente o número de veículos nas principais vias urbanas. A sociedade hoje possui um maior poder aquisitivo com portas abertas para o consumo de automóveis, através de impostos reduzidos.

Priorizar o transporte coletivo seria uma das opções de melhoria da mobilidade urbana, perdendo como referência maior o apoio baseado no automóvel que, em contrapartida ao conforto, polui, gera trânsito e stress, funcionando como um agente agravador da falta de qualidade de vida nos centros urbanos.

Porém, o serviço oferecido de deslocamento muitas vezes não atende a todos, infringindo o direito fundamental de ir e vir. Para o assessor de Políticas para a Juventude de Araraquara, o caminho está no custeamento público. “Os estudantes de Araraquara e São Carlos, cidades vizinhas, sofrem com isso. Eu acredito que o principal problema é a questão do financiamento do transporte. Com um apoio maior aos municípios através de investimentos neste setor, será mais fácil garantir a eficiência, melhores condições e transformações na ida e volta à universidade”, acredita.

 Como pensar o bem comum?

Debater a convivência humana é tentar racionalizar a vida em sociedade. Compartilhar o mesmo espaço, no caos do sistema viário que proporciona o cansaço, o desanimo e a falta de convívio em família exige alternativas que reflitam para o bem comum.

O arquiteto e sócio- fundador da TC Urbes, Ricardo Corrêa expôs um pouco da sua pesquisa de mais de 10 anos sobre a mobilidade urbana em grandes capitais e focou na ideia das pistas cicláveis como solução.

Segundo ele, a falta de planejamento urbano acabou separando a população, colocando a periferia em volta das cidades. Com a falta de escolha, entre morar bem ou perder sua vida no deslocamento, muitos são obrigados financeiramente a ficar com a segunda opção.

“A medida que a cidade veio crescendo o aumento do número de carros acabou inibindo a utilização da bicicleta como meio de transporte. Por este motivo é imprescindível a ocupação do espaço com a criação de ciclovias, permitindo o acesso ao deslocamento pela cidade”, acredita o urbanista.

Para o presidente da entidade, Alexandre Silva, o saldo do debate foi positivo. ”Precisávamos de um time de peso para discutir e encontrar, junto aos estudantes, respostas concretas para o problema do crescimento desenfreado urbano que nossas cidades vem passando. Com o Circuito UniverCidade queremos com a juventude local, pensar a interação entre o desenvolvimento do nosso Estado e a qualidade de vida de toda a sociedade”, aponta o presidente.

Thatiane Ferrari, de São Carlos-SP
Foto: Leo Souza