A expectativa é que 160 mil pessoas circule pelo evento até o domingo. Só de palestrantes, são 700. Inscritos, oito mil. Grande parte deles se acomodam em quase cinco mil barracas de acampamento, utilizam uma estrutura que inclui 180 chuveiros, sete geradores e velocidade de 40 Gbps de internet. Tudo isso está montado no Parque Anhembi, em São Paulo, para a 7ª edição da Campus Party, um dos mais importante encontros de tecnologia do mundo. Serão oito dias de palestras, workshops e debates simultâneos transmitidos por streaming que devem gerar 500 horas de conteúdo, o que levaria 3 meses para ser assistido.

A Campus Party teve início na segunda-feira (27/01) e vai até 02/02. O site da UNE esteve lá para ver um pouco o que fazem esses jovens e o que buscam no maior evento de tecnologia do país. Segundo a organização do evento, 74% do público tem faixa etária de 18 a 29 anos, vindos de todo o Brasil e do exterior também.

Praticamente 1/3 do Parque Anhembi está ocupado por barracas. Muitos dos participantes fazem parte de caravanas que vieram de vários Estados. Como Karine Imroth e Bruna Caroline Russi, ambas com 18 anos, que vieram em uma caravana de Blumenau (SC). As estudantes do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) enfrentaram 12 horas de estrada para se atualizarem. Queriam ver o “PCs”, as palestras sobre robótica, segurança da informação e astronomia. E a Campus Party também é das mulheres?

“Claro que sim, tem que ser. Ainda tem poucas, mas está começando a abrir o espaço“, respondem as duas mostrando a barraca arrumadinha. “Eventos como a CP ajudam a divulgar e a atrair mais mulheres”, destacou Bruna. Na programação das duas, um encontro só para as campuseiras, a mesa redonda do grupo #garotasCPbr.

O estudante de Sistema de Informação do Instituto Federal de Sergipe (IFS), Andrei Ferreira da Silva, 18 anos, veio de Itabaiana (SE) e também está acampado no Anhembi. Ele conta que é estreante na Campus e veio com interesse pelas palestras e workshops. Já o seu amigo Gabriel Sales, 16 anos, é campuseiro veterano: esta é a quarta edição que participa. Ele está acampado com o pai. “Meu pai é analista e totalmente maluco por tecnologia”, explica.

Pelo 5º ano consecutivo, alunos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), de Cornélio Procópio (PR), caíram na estrada e chegaram à Campus Party. Identificados pela bandeira hasteada nas mesas determinando o local do grupo estavam Gustavo Melvis, 21 anos, e Luis Felipe Sanches, 18, concentrados nas telas dos notebooks e pcs. Gustavo ia ver o workshop de “Realidade aumentada” e Luis que se identificou como um “gamer”, disse que gostou mesmo foi do campeonato de “League of Legends” – jogo de computador que é febre entre os campuseiros – e da luta de robôs no estande do site Submarino.

Segurança na rede, o assunto da vez

O público entretanto não se resume a quem veio ver as novidades. No palco onde o assunto é segurança da informação, as perguntas eram sobre o dia a dia no mercado de trabalho, aprimoramento e a legislação brasileira na área. O professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Adriano Mauro Cansian, respondeu a muitas perguntas e o recado dado foi que na área de tecnologia onde tudo é muito novo, desbravar é preciso.

Na palestra dele encontramos a estudante de Sistema de Informação da Universidade de São Paulo (USP), Talita Rodrigues dos Santos, 21 anos. Ela se forma o ano que vem e conta que se inscreveu como voluntária da CP para buscar mais informações sobre a área que quer se especializar. “Acho que faltam pós-graduações especializadas. É muito fácil encontrar as especializações mais bizarras em instituições privadas, porém as universidades mais tops são conservadoras para áreas novas. Vim para a CP para saber mais sobre segurança, falta muita informação sobre isso”, afirmou. Como voluntária ela auxilia palestrantes e no que for preciso para o andamento da programação.

O tema segurança foi além do espaço delimitado para a discussão e saiu até da área técnica, entrando no debate político. Em todos os palcos e debates, ainda que o destaque ficasse para os jogos, a segurança na rede permeou inúmeras falas. “Depois do vazamento de informações no ano passado, o wikileaks, espionagem, agora acho que é o momento para essa área explodir”, afirmou a estudante da USP.

Empreendedorismo e pesquisa

Meia hora antes de começar o workshop que seria ministrado pelo estudante de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Erick Vilela, e seus companheiros,  já eram 50 pessoas na lista de espera. O assunto, parece desconhecido para os leigos: o arduíno, uma placa de circuitos geralmente utilizada na fabricação de robôs. “O workshop é preparado para uma abordagem básica sobre a programação desses circuitos”, explica. O pernambucano de apenas 20 anos tem experiência de ensino. Faz parte de um projeto de pesquisa da UFPE e participa de uma rede colaborativo chamada Robo Livre.org, como se fosse uma rede social onde as pessoas postam conteúdo sobre os robôs que estão desenvolvendo e dúvidas. A ideia da rede é de desenvolvimento colaborativa e de desmistificar a tecnologia para jovens dos ensinos fundamental, médio, técnico e universitário. “Já fizemos robôs, orientamos grupos para participar da Mostra Nacional de Robótica, e damos oficina em vários locais de Recife”, conta ele.

A Campus Party 2014 também abre espaço para 250 startups –empresas iniciantes – mostrarem seus negócios. As áreas das empresas são as mais variadas e o bate-papo é aberto até para quem não sabe direito o que é um aplicativo. A entrada é livre para visitar este espaço e o estande de lançamentos tecnológicos comerciais. Os debates estão sendo transmitidos ao vivo aqui.

Cristiane Tada