Palco de históricos debates, conflitos e levantes estudantis, a Cidade Universitária protagonizou um grande ato em defesa à liberdade, nesta última quarta-feira (29), em frente a Praça do Relógio. Importantes nomes da música brasileira de diferentes gerações, como Arrigo Barnabé, BNegão e Tulipa Ruiz subiram ao palco para cantar o protesto dos estudantes contra a presença da Polícia Militar no campus e a saída do reitor, João Grandino Rodas.  

As bombas de efeito moral, prisões e a truculência que marcam, incessantemente, o cotidiano do campus desde o ano passado abriram espaço para a música, arte e ideias. O evento, organizado pelo comando de greve dos estudantes, também ousou e estampo a frase “Fora PM” nos tíquetes de cerveja, uma maneira irreverente de protestar contra a medida que fora tomada horas antes do show, em que guardas universitários tentaram barrar a entrada da bebida no campus.

Ao contrário do esperado, o show aconteceu como o previsto e não houve nenhuma repressão por parte da diretoria.

“DEMOCRATIZAÇÃO DA USP”

Hoje (1/3), às 19h, será lançado um manifesto pela “democratização da USP”, que pede, entre outras coisas, a saída da PM do campus e a mudança na forma de escolha dos dirigentes da universidade, tida como “pouco democrática” e mais afeita “ao arcabouço jurídico da ditadura militar do que à Constituição Federal de 1988”, segundo o documento.

O manifesto foi assinado por 231 professores da instituição de ensino, entre eles a filósofa Marilena Chaui, o jurista Fábio Konder Comparato e Vladimir Safatle, colunista da Folha. O ato de lançamento será na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Procurada, a reitoria da USP informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a realização da festa não foi comunicada formalmente à prefeitura do campus, que é quem regulamenta esses eventos na Cidade Universitária, e que a proibição da entrada de caminhão com bebida é norma interna da instituição.

Em relação aos questionamentos quanto à forma de escolha dos dirigentes, a assessoria disse que estão ocorrendo uma série de sessões temáticas organizadas pelo conselho universitário, órgão máximo da USP, para discutir eventuais reformas no processo de eleição de quem dirige o centro de ensino.

 
Da redação