Na semana da Consciência Negra, São Paulo receberá a 1ª Festa Internacional Literária da Cultura Negra. A Flink-Sampa nasceu da necessidade de se valorizar e promover a produção cultural da negra no país. A programação reúne 25 autores nacionais e internacionais. Nomes como Joel Rufino dos Santos, Nei Lopes, Paulo Lins e a escritora moçambicana Paulina Chiziane integrarão a feira. O evento, iniciativa da ONG Afrobrás e da Faculdade Zumbi dos Palmares, também terá atividades culturais como apresentações de teatro, cinema, música, dança e seminários. Toda programação é gratuita e aberta ao público.

O escritor Uelinton Farias Alves, curador da Flink, reforça a importância da feira como promoção do movimento cultural negro. “Em todos esses eventos a presença do autor negro ou da temática negra é ausente”, disse o escritor.

A festa pretende revelar autores e revisitar algumas obras. “Existem vários autores negros, muitos com obras importantíssimas e premiadas. O mercado não os enxerga comercialmente, como produto vendável”, ressalta Uelinton.

O evento terá como patrono Cruz e Sousa, poeta negro brasileiro considerado o precursor literário do Simbolismo.

AÇÕES AFIRMATIVAS

Além das diversas atividades de cultura e de lazer, a Flink-Sampa vai reunir intelectuais, acadêmicos e pesquisadores para discutir as políticas públicas com recorte racial. A presidenta da UNE, Vic Barros, também participa das discussões. “A UNE defende a democratização do acesso ao ensino superior e as cotas têm colocado dentro das universidades jovens pobres, negros e da periferia, antes excluídos desse processo. Assim, estamos ampliando o acesso a milhões de estudantes. A frase que cantamos no movimento estudantil ‘o filho do pedreiro vai poder virar doutor’ hoje é uma realidade”, destacou ela.

Acontecem dentro do evento o II Seminário Internacional sobre Diversidade e Inclusão, a 11ª edição do Troféu Raça Negra e o I Encontro Internacional de Cotistas e Estudantes Negros. Além disso, a organização da Flink pretende entregar ao governo federal documento que requer providências em relação ao alto índice de violência contra a juventude negra da periferia, bandeira que a UNE já tem defendido com demais movimentos sociais na Jornada de Lutas da Juventude Brasileira.

No I Encontro Internacional de Cotistas e Estudantes Negros, estudantes das universidades públicas vão compartilhar experiências, relatando expectativas com relação ao universo que se abriu no ambiente acadêmico e no mercado de trabalho. O diretor de Universidades Públicas da UNE, Thiago José, participa de uma das mesas. “As políticas de ações afirmativas são fundamentais para democratizar o acesso à universidade, principalmente dos estudantes negros e pobres. Nosso grande desafio é de garantir essa conquista com políticas de assistência estudantil e permanência”, ressaltou.

Recentemente, a UNE e os movimentos sociais tiveram uma grande conquista sobre o tema: a Lei 12711 consolida a política de cotas como política de Estado para todas as universidades federais do país.

Serviço

Flink – Sampa
Data: 15, 16 e 17 de novembro
Local: Memorial da América Latina
Horário: 10h às 22h
Entrada gratuita
Confira a programação completa aqui.

Com informações da Rede Brasil Atual