O Diretório Central das e dos Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) divulgou uma nota em que lamenta o incêndio em sua sala anexa no dia 18 de outubro. Uma investigação policial já começou para apurar o ocorrido. “O que importa, neste momento, é que tal fato abalou-nos, mas não nos fará parar. Não nos calará, e, acima de tudo, não nos adaptaremos a esta realidade cruel e absurda”, diz trecho da nota. Leia abaixo na íntegra:

INCÊNDIO NA SALA DORCELINA FOLADOR

É com muito pesar que a gestão do DCE 2014 “Não Vou Me Adaptar” apresenta uma triste notícia ao movimento estudantil.

No dia 18 de Outubro de 2014, alguns estudantes, ao chegarem no espaço do Diretório Central das e dos Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), depararam com a sala Dorcelina Folador, anexa ao DCE, em chamas.

O anexo servia ao movimento estudantil para reuniões, debates, para guardar livros, roupas para doações, além de ser onde os estudantes de fora se alojavam para pernoitar.

No entanto, hoje, ela é só cinzas. Quando os estudantes chegaram à sala, os livros doados, uma mesa de madeira e algumas roupas estavam com fogo. Coincidentemente, parece-nos que atearam chamas aos livros que expressavam uma ideologia libertária, revolucionária e transformadora da nossa sociedade arcaica e obsoleta.

A sala era grafitada e pichada com as ideias de vários estudantes e visitantes do espaço. Frases como: machismo mata, homo é lindo, entre outras, podiam ser lidas como forma de protesto, resistência e liberdade de expressão. Simbolicamente, estas paredes estão em cinzas por causa dos restos dos objetos queimados, cinza como a realidade de quem sofre todos os dias por causa da exploração e opressão deste sistema em que o lucro está acima da vida e em que a diferença, a qualquer custo, deve ser calada. Seja com estupros corretivos, com lâmpadas, com prisões, expulsões, confinamentos, mortes ou incêndios.

As medidas cabíveis já foram tomadas. A partir de hoje, instaura-se uma investigação policial para saber quais foram as causas do “acidente”, o que ou quem o provocou, como aconteceu, e quem será responsabilizado.

O que importa, neste momento, é que tal fato abalou-nos, mas não nos fará parar. Não nos calará, e, acima de tudo, não nos adaptaremos a esta realidade cruel e absurda. Só se conforma, quem já está adaptado, e, como disse a professora de economia Rosa Luxemburgo: “quem não se movimenta, não sente as amarras que o prende”.

Assim, concluímos que, nenhuma ameaça impedirá as e os estudantes de serem vitoriosos em sua luta. O movimento estudantil já sofreu ataques muito piores, e, ainda hoje sobrevive.

Como já disse o poeta: “Sonhar mais um sonho impossível, lutar quando é fácil ceder, vencer o inimigo invencível, negar quando a regra é vender.”

20 de Outubro de 2014.

“Não Vou Me Adaptar” – Gestão 2014 do Diretório Central das e dos Estudantes.