O Rio de Janeiro foi palco de uma das maiores passeata da série de protestos contra o aumento no preço das passagens de ônibus ocorrida no país. Cerca de 100 mil pessoas ocuparam pacificamente as ruas do centro da capital fluminense nesta segunda-feira (17). Com flores nas mãos, os manifestantes caminharam da Candelária, pela Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia.
Boa parte dos manifestantes estava de branco, coincidindo com a campanha da UNE “Pela paz contra o aumento”, pedindo para os jovens participarem dos protestos vestidos dessa cor. Eles ocuparam toda a extensão da Avenida Rio Branco, uma das principais da região, para gritar também por outras causas, como a má qualidade dos serviços públicos e a favor da democracia.
Durante o percurso, a passeata ganhou o apoio de muitas pessoas que ainda trabalhavam em escritórios localizados na via ou esperavam o fim da manifestação para ir para casa. Eles lançaram papel picado pelas janelas, em sinal de apoio, e os manifestantes agradeciam. “Quem apoia acende a luz”, gritavam da rua, e as luzes piscavam nos escritórios.
Para o coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal Fluminense (UFF), Tiago José, o movimento que vem se formando no Rio de Janeiro é muito rico e traz novos ares de mudanças. “Acredito que o denominador comum de toda essa população que saiu de casa para protestar seja a ótica da política brasileira. Precisamos lutar por uma ampla reforma política, com menos privilégios, mais ideias e participação popular”, afirmou.
Tensão
A manifestação no Rio, que transcorreu de forma pacífica por mais de duas horas, começou a ficar tensa quando um pequeno grupo se aproximou da sede da Assembleia Legislativa. Essa minoria ateou fogo nas escadarias e os policiais reagiram com bombas de gás lacrimogêneo. Apesar da tentativa, não houve invasão ao local.
“A grande maioria das pessoas não aderiram a violência nem à depredação, que foi realizada por um grupo muito pequeno. A palavra de ordem mais repetida durante todo o protesto foi SEM VIOLÊNCIA”, ratificou Tiago.
Nesta terça-feira, por volta das 13h, aconteceu um ato pacífico nas escadarias da Alerj contra as ações violentas da noite de segunda-feira. Carregando cartazes com dizeres contra atos de vandalismo e segurando flores brancas, os manifestantes também protestaram contra as ações que resultaram na pichação da Igreja São José e do Paço Imperial.
Da Redação