Em julho de 2011, uma nova geração de estudantes assumiu a gestão da maior organização de juventude do país. Os novos diretores da UNE, que vieram de várias universidades de diferentes estados do país, trazendo olhares e anseios diversos, transmitem agora as suas impressões sobre esses primeiros meses de luta, que contaram com algumas conquistas efetivas mas, sobretudo, com muita mobilização nas ruas. Leia a seguir os depoimentos de sete membros da direção da União Nacional dos Estudantes:  

Marcela Rodrigues, diretora da Área de Exatas

“Esses nossos primeiros meses foram muito positivos, de muita ofensividade na política e com calendário muito carregado. Nós vamos entrar em 2012 comemorando nossos 75 anos com muita altivez, força e combatividade. A UNE continua fazendo muita história, sempre com os olhos naqueles que nos antecederam, honrando nosso patrimônio político, mas continuando a fazer história. Faz parte das honrarias das gerações passadas a construção da nova sede, que é uma conquista da nossa época que está sendo gestada há muitos anos. Se existe um símbolo concreto da nossa luta, é esse. Quando a ditadura foi invadir, o intuito era acabar com o movimento estudantil. Quando entramos nos nossos 75 anos, reconstruir a sede tem esse valor  histórico que é impagável, esse é o símbolo desse nosso período”. 

Luiza Lafetá, diretora de Relações Internacionais

 “O ano de 2011 foi muito intenso para os estudantes do mundo e do Brasil, marcado pela Primavera Árabe, pelos 10 anos do Fórum Social Mundial e por grandes mobilizações estudantis no Chile e em toda America Latina. Os estudantes árabes derrubaram ditaduras, aqui na America Latina os estudantes chilenos e colombianos durante meses colocaram milhares de estudantes nas ruas em defesa de uma educação pública e de qualidade. No Brasil não foi diferente, grandes passeatas e ocupações em defesa dos 10% do PIB para educação tomaram todo o país. A UNE teve uma agenda internacional ativa com uma grande delegação participando do maior fórum de estudantes da America latina, o XVI CLAE (Congresso Latino-americano de Estudantes) que encaminhou uma grande jornada de lutas para o continente no próximo ano. Também tivemos a visita da Camila Vallejo, companheira da Fech, que lidera as passeatas no Chile”.  

Carlos Estevão Caligiorne Cruz, diretor de Políticas Educacionais

“Neste primeiro semestre de gestão acompanhamos de perto todas as discussões sobre o Plano Nacional de Educação (PNE). Também mobilizamos muito intensamente os estudantes em torno da aprovação do PNE e de bandeiras como os 10% do PIB para educação pública. Através do Fórum Nacional de Educação, construímos também muita interlocução com outras entidades do movimento educacional, reforçando a aliança entre estudantes e trabalhadores da educação. O adiamento da votação do PNE 2012 oferece novas possibilidades para garantirmos mais avanços para a educação brasileira e a UNE seguirá na luta, pressionando por conquistas. Em 2012, retomaremos nossa agenda de mobilizações com uma grande caravana pelo país. Será o momento ideal para atualizarmos nosso projeto de Reforma Universitária em diálogo com a democratização das universidades, que hoje estão cada vez mais com a cara do trabalhador  brasileiro”.

Everton de Oliveira Sodré, diretor de Políticas Públicas para a Juventude

“Tivemos grandes debates na construção da 2ª Conferencia Nacional de Juventude. A começar pela quebra do paradigma de que a juventude está ‘desmobilizada’, mais de 500 mil jovens participaram em mais de 1100 conferências eletivas municipais em todo país e a UNE teve um papel fundamental nessa construção, contribuindo nas mobilizações e nos debates em várias conferências estaduais, além do incentivo a realizações de Conferencias Livres nas Universidades. Chegamos à 2ª Conferência Nacional de Juventude, reafirmando nossas principais bandeiras, pelos os 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-sal para Educação. Além de referendar a imediata aprovação do que acreditamos ser a tríplice vitória nas políticas públicas, com o Estatuto da Juventude, Plano Nacional de Juventude e Sistema Nacional da Juventude”.

Matheus Fiorentini, Secretário-executivo da OCLAE pela UNE

“Fizemos uma grande participação brasileira no CLAE, muito destacada pelo debate qualificado levado pela delegação brasileira e pela profunda grandeza política em solidariedade a todas as lutas do continente.Além disso, pautamos a importância de fortalecer a amplitude e combatividade da OCLAE dialogando com todos os estudantes do continente. Para 2012, temos o desafio de participar do Fórum Social Temático, que será em Porto Alegre no mês de janeiro, e em fevereiro organizar a participação dos estudantes no Encontro Universidade 2012, que acontece em Havana de 13 a 17 desse mês. Mas todas as energias estão voltadas para a organização da Jornada continental de lutas dos estudantes que será em março de 2012 e que transformará esse mês no mês estudantil de toda a América Latina e Caribe, quando defenderemos uma educação pública, e a integração justa e solidária do continente e contra a criminalização dos movimentos sociais”.

Rodolfo Mohr, diretor de Movimentos Sociais

“No mesmo dia em que tomou posse, a atual gestão da UNE foi para ação direta. Estivemos mobilizados, diretores da UNE, de DCEs e estudantes de Brasília, em frente à embaixada chilena para demonstrar nossa posição de apoio aos colegas chilenos em lutas por educação pública e gratuita, e nosso mais profundo repúdio a repressão empreendida pelo governo Piñera que levou à morte o estudante Manuel Gutierrez”.

Renan Thiago Alencar, diretor Jurídico

“O #OcupeBrasília foi uma experiência muito boa pra UNE, para os acampados e para democracia brasileira. Talvez a gente demore um tempo pra avaliar o que aconteceu lá. Além do acampamento em si ter acontecido bem na frente dos ministérios, recebemos muitas pessoas importantes, como a terceira pessoa na linha da sucessão da república, o presidente da câmara dos deputados, Marco Maia. Enquanto os espanhóis estão indo às rua, nós estamos com uma pauta positiva, mobilizando por um aumento democrático. Isso que acontece em Brasília é um outro recorte de algo que está acontecendo no mundo. Foi muito bom, conseguimos conquistas concretas, de certa forma destravou muitos pontos das nossas pautas de reivindicações. Os relatórios do Estatuto e do PNE foram lidos no senado, e a destinação dos 50% do Fundo Social do Pré-sal foi aprovada por consenso na principal comissão, a de educação. Foi um movimento muito vitorioso, que formou uma geração. Da minha militância, o momento mais bonito que vivi, junto da ocupação da praia do flamengo (Rio de Janeiro), em janeiro de 2007″.

Da Redação