Para Aldo Arantes, integrante da comissão federal de mobilização da Ordem dos Advogados do Brasil para a reforma política, a elaboração do projeto de iniciativa popular “Eleições Limpas” teve como ponto de partida a insatisfação com o poder institucional, que ficou clara durante as manifestações de junho nas ruas do país. “Ficou evidente que tem um contingente de parlamentares que não atende os anseios da população”, disse, em entrevista ao site da UNE.

Ex-presidente da UNE, Aldo Arantes estará presente ao ato público de lançamento do projeto no Rio de Janeiro, na próxima quinta-feira, dia 29/8, na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ.

Na sua opinião, a questão do financiamento da campanha é fundamental para garantir o comprometimento dos políticos com o interesse do povo e não apenas de empresários. “O financiamento democrático através do financiamento público de campanha tem o objetivo criar uma disputa mais democrática, e para isso é necessário que todos tenham a mesma condição de competir”, explicou.

De acordo com o representante da OAB, para que esse financiamento funcione é necessário uma severa punição para a prática de caixa dois nas campanhas. “Hoje não conseguimos identificar e nem fiscalizar o caixa dois devido à quantidade de candidatos. Com menos candidatos como o projeto propõe é mais fácil ver quem está cometendo ilegalidades”, afirmou.

Ainda de acordo com Arantes outra questão amplamente ligada à insatisfação da população e que pode mudar com o projeto é obrigar partidos e candidatos a uma maior definição política e ideológica. “O sistema proporcional em dois turnos permite votar em candidatos que defendam correntes de pensamento”, destacou. Isso porque pela proposta o eleitor deverá votar primeiro no partido, e depois no candidato. Para ganhar o eleitor os partidos deverão divulgar mais amplamente os seus programas e o que eles priorizam.

E os estudantes, o que pensam sobre a reforma política?

A UNE defende que a reforma política acabe com o financiando de empresas às campanhas eleitorais, uma das principais armas no combate à corrupção. Os estudantes também querem mais canais de participação, espaços de democracia direta e participativa, como conferências, conselhos consultivos e deliberativos, fóruns, seminários, plebiscitos, referendos, projetos de lei populares, mais mecanismos de transparência, e acompanhamento das atividades políticas do Brasil.

A UNE ainda quer que os estudantes opinem nas questões da reforma como a lista partidária, a participação das mulheres, coligações, entre outras. Organize um plebiscito na sua universidade e ajude a recolher assinaturas para o projeto. Envie as propostas e sugestões para [email protected]

Cristiane Tada