Na manhã da última segunda-feira (11/8), cerca de 100 estudantes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), localizada em Campos dos Goytacazes, norte do Rio de Janeiro, fecharam as entradas principais da instituição em reivindicação ao aumento da bolsa de assistência estudantil. Os acessos permaneceram bloqueados durante todo o dia com barricadas de madeira e cordões humanos.

O aumento foi prometido em junho pela secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect), após um período crítico de mais de 3 meses de greve na universidade. Contudo, segundo os estudantes, na semana passada a reitoria informou que a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) enviou um ofício informando que o aumento não seria concedido.

Para o estudante e integrante da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil, Luiz Alberto Araújo, o valor atual das bolsas ofertadas pela Uenf não garantem a permanência do estudante carente. ‘’ Eles prometeram equiparar com o que já é praticado na UERJ e UEZO, que é de R$400,00. O valor de R$300,00 que hoje é oferecido não se mostra suficiente. É uma miséria’’, disse.

Luiz Alberto chegou a fazer greve de fome por três dias durante o período de paralisação na Uenf. ‘’ Para acabar com a greve de fome prometeram a ampliação e o funcionamento do bandejão. A promessa de ampliação já foi descumprida. Agora, a segunda promessa de equiparação das bolsas também parece que será’’, falou.

No site oficial da Uenf, a reitoria informou que segue com as negociações. “A reitoria continua negociando com a Sect e com a Seplag, no sentido de obter o descontigenciamento do orçamento da Universidade e a autorização para que o reajuste possa ser implementado o mais breve possível”, diz a nota.

BANDEIRA HISTÓRICA

As políticas de assistência estudantil e permanência do estudante na universidade estão no topo da lista das reivindicações do movimento estudantil. A necessidade de construção das Casas do Estudante, restaurantes universitários, infraestrutura adequada, possibilidade de acúmulo de bolsas são bandeiras de luta históricas da União Nacional dos Estudantes.

Neste ano, a entidade realizou a III edição de seu Seminário de Assistência Estudantil, entre os dias 9 e 11 de maio, na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais.

Foram eixos do Seminário a concepção de assistência (bolsas/auxílios) e permanência estudantil (moradia/RU), a participação Estudantil na elaboração e implementação das políticas de permanência e assistência; estudantes cotistas; estudantes prounistas e do FIES; e mulheres estudantes.

Para a diretora da pasta, Flávia Hellen, o evento abordou temas essenciais como a garantia de assistência e permanência para os prounistas, cotistas e estudantes de origem popular que hoje ingressam na universidade. ”Precisamos discutir a concepção da assistência como instrumento de emancipação dos e das estudantes para que possam viver plenamente a universidade. Promover o debate sobre temas do cotidiano de dificuldades da vida acadêmica, construindo encaminhamentos que representem os anseios das e dos estudantes tornou o III Seminário de Assistência Estudantil da UNE um espaço fundamental para avançarmos na popularização e transformação das estruturas das IES”,explicou.

Renata Bars