A Universidade Federal de Minas Gerais está ocupada. Estudantes de diversos cursos, que realizaram assembleia no campus Pampulha durante a tarde desta terça (25) decidiram entrar no prédio da reitoria no final da tarde, em resposta à constante presença de forças policiais e do exército na instituição, nos últimos dias. O clima da ocupação é extremamente pacífico e organizado, com a criação de comissões entre os estudantes e uma plenária improvisada para definir os rumos do movimentos.
As forças policiais e armadas têm causado incômodo com a comunidade universitária desde o início das manifestações populares recentes na capital mineira. O campus, próximo ao estádio do Mineirão, tem cedido seu espaço para a ação policial, em embates marcados pela truculência da polícia e violência crescente contra os manifestantes. O Conselho Universitário tem se reunido diversas vezes, nos últimos dias, rechaçando veemente a militarização dentro da instituição.
Para o presidente da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG) Paulo Sérgio de Oliveira, a presença dos policiais partiu de uma decisão arbitrária do reitor Clélio Campolina: “Foi apresentada a justificativa de que seria uma medida para aumentar a segurança no campus, o que na nossa opinião, não demandaria a entrada da polícia militar”, afirma.
Vídeos postados nas redes sociais flagraram o ataque de policiais a manifestantes, partindo de dentro do campus. O presidente da UEE-MG diz que não há previsão para a saída dos estudantes. “Ficaremos até as forças militarizadas saírem”, garante. O reitor, que reuniu-se com o governador do estado no final da tarde, prometeu uma solução para o impasse.
Para a presidenta da UNE, Vic Barros, a apropriação do território da UFMG pelas forças policiais é indesejável e temerária, não somente por ferir o princípio da autonomia universitária e afrontar a livre produção de conhecimento, mas por estar contribuindo com o acirramento da violência das forças do estado contra os jovens nas manifestações da capital mineira. “A militarização do campus traz à UNE as piores recordações da ditadura militar no século passado. No caso da UFMG, ela tem acontecido de maneira vertical, opaca, sem diálogo com a comunidade universitária”, criticou.
As próximas manifestações em Belo Horizonte estão marcadas para esta quarta-feira (26) ao meio dia, na Praça Sete, região central da cidade. A UNE ainda fará um grande protesto em Brasília, quinta-feira, 27 de junho, com concentração às 9h no Museu Nacional da República
Da Redação
Foto: Guilherme Dutra