A UNE e os movimentos sociais se reuniram nesta terça-feira (04/11), em São Paulo, para avaliar a conjuntura política após o processo eleitoral no Brasil. Foram estabelecidas as necessidades de discutir uma reforma política e lutar pela democratização dos meios de comunicação. Também houve consenso para convocar um Fórum Amplo de movimentos sociais no início do ano, em data a confirmar.
Segundo o presidente da CUT Nacional, Vagner Freitas, a agenda prioritária para o próximo período é a que fala da reforma política, da reforma tributária, fortalecimento dos blocos latinos americanos, da regulação da mídia e da continuidade de políticas públicas como moradia, educação, saúde, segurança e transporte. “Nosso papel é lutar para avançar nessas pautas.”, salientou.
Mãe das reformas
Membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Ana Paula Ribeiro ressaltou que a mãe das reformas é a reforma política, mas há outras que há muito tempo deveriam ter sido feitas. “Há, por exemplo, a reforma agrária, que não avança. A reforma urbana, que precisamos bater de frente com forças militares para que houvesse o mínimo de avanço”. Para a coordenadora, é indispensável se contrapor aos interesses do Congresso Nacional eleito, que tem caráter conservador. “É preciso reconhecer que esta luta será necessária, ou não avançaremos”.
O membro da Secretaria Nacional do MST, Igor Felippe Santos, concorda com a avaliação de que a mãe das reformas é a reforma política. “Com ela, destravaremos outras reformas, inclusive a da comunicação. Temos que criar fóruns ampliados que reúna cada vez mais forças, pois o sentimento de descrença do sistema político é comum”, explicou.
Democratização da Mídia
O diretor de políticas educacionais da UNE, Ivo Braga, também seguiu a linha de que a unidade dos movimentos sociais será fundamental para construir os desafios do próximo período. “Precisamos acabar com o monopólio dos meios de comunicação. Esse é um tema transversal porque tem a ver com luta de ideias. Por isso, não haverá nenhum avanço se não for enfrentado o debate sobre a democratização dos meios”, avaliou o estudante, que ainda complementou:
“Não pode parecer natural ao povo brasileiro que uma revista [Veja], momentos antes da eleição, surja com uma capa favorável a um certo candidato para mudar o cenário das urnas. Para ampliar as políticas sociais, principalmente as que envolvem os jovens nas universidades, o caminho é o povo nas ruas”.
Para Felipe Altenfelder, do Coletivo Fora do Eixo, além das ruas, é preciso atuação efetiva nas redes. Segundo o militante, a aprovação do Marco Civil da Internet [Lei nº12.965/2014] e da Cultura Viva [Lei nº 13.018/2014] foram conquistas significativas na área da Comunicação e da Cultura e tiveram a força da juventude como motor.
Da Redação com informações da CUT
