O que há de comum entre a cena hip-hop de São Paulo e os poemas de Patativa do Assaré? E o “Fora Collor” consegue dialogar com as memórias sertanejas de Chico Pedrosa? Unir esses quatro temas tão distintos foi um aspecto interessante da grande roda de conversa que laçou quatro livros, na noite desta quarta-feira, no Espaço Forrobodó da 8ª Bienal da UNE, em Olinda. Durante quase duas horas os autores Toni C, Maria Ferreira dos Santos, Rodrigo Carvalho e Chico Pedrosa conversaram com os estudantes sobre suas obras, além de autografarem os trabalhos.
Quem é quem:
Maria Ferreira dos Santos é professora de língua portuguesa e literatura, formada pela Universidade Regional do Cariri. Seu livro “Aspectos sociológicos na poesia de Patativa do Assaré e o drama da triste partida” divulga a importância da contribuição de Patativa para as análises e estudos sociais relacionados ao povo nordestino e o seu comprometimento com os problemas da região.
“É a minha primeira vez na Bienal da UNE e para mim foi uma experiência interessantíssima. Esse contato com os jovens é extremamente válido já que são eles que dão prosseguimento às coisas da vida. Acho ótimo estar entre a juventude.”, disse.
Chico Pedrosa é um dos maiores mestres da atualidade da poesia sertaneja, além de ser cordelista e repentista. “Raízes do chão caboclo”, título lançado na Bienal da UNE, é uma espécie de autobiografia poética que traz retalhos da vida do artista pelos sertões.
“Para mim é um prazer enorme participar deste evento pela primeira vez. A UNE tem uma história muito forte de lutas e eu fico feliz de fazer parte. Isso é uma grande alegria.”
Rodrigo Carvalho é formado em Ciências Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Mestre em Comunicação Social pela Fundação Cásper Líbero e doutorando em sociologia pela PUC-SP. “20 anos do Fora Collor” faz um resgate histórico dos fatos políticos e sociais que culminaram no afastamento do presidente Fernando Collor de Mello.
“O espaço oferecido pela Bienal para debater este tema é muito importante. Trata-se de um episódio histórico quando a UNE e a UBES tiveram um papel de destaque. É preciso lembrar que por mais que houvesse crise no governo Collor, dificilmente haveria o impeachment se os estudantes não tivessem se mobilizado e ido às ruas. É importante divulgar para as novas gerações que aqui estão o que aconteceu há duas décadas.”
Toni C. é um dos nomes de respeito na cena hip-hop brasileira. Em seu livro “O Hip-Hop está morto!” ele mostra a história do movimento e suas influências internacionais ao público em geral.
“Participar da Bienal é gratificante. Este evento marca um reencontro para mim. Eu estive na primeira edição em Recife, há 10 anos, e pude conhecer projetos interessantíssimos, como o de Peixinhos. Encaro essa minha volta como parte do cumprimento da minha missão. A gente sempre deve devolver de onde se tira inspiração.”
Maria Helena Monteiro