As campanhas políticas no Brasil são abertas a receber doações do setor privado, tanto de pessoas físicas como jurídicas. A grande maioria das candidaturas conta com esses recursos, às vezes em cifras impressionantes, dos mesmos grupos da sociedade . E você, quanto doou na última eleição? Se não doou nada, seguindo a lógica, é provável que você tenha bem menos influência sobre os políticos eleitos do que os grandes doadores, entre eles, empresas de capital privado com objetivo de lucro sobre seus negócios.
Por isso, ganha força cada vez mais a proposta de financiamento público das campanhas eleitorais, defendido pela UNE. O 14º Conselho Nacional de entidades de Base (CONEB) promoveu, na manhã deste sábado (19/01) no Recife, um importante debate acerca do tema com a presença de lideranças partidárias.
Entre os convidados, estavam a deputada federal pelo PCdoB de Pernambuco e vice-presidenta do PCdoB, Luciana Santos, o presidente do PSOL, Ivan Valente, o secretário geral do PT, Elói Pietá, o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, e o representante do Partido Pátria Livre – PPL, Márcio Cabreira.
Segundo Ivan Valente, o atual modelo de financiamento privado é a raiz da corrupção no Brasil. ‘’ Enquanto não houver o fim do financiamento privado, o fim da interferência econômica no processo eleitoral, enquanto os monopólios interferirem no processo, eles vão cobrar a fatura depois. Bancos e empreiteiras estão aí para defender os seus interesses em detrimento aos interesses do povo’’, falou.
O poderio de grandes empresários sobre legislativos e executivos foi apontado como o principal problema do modelo vigente.
‘’Conforme dados do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), a cada três deputados, um é empresário. Onde está a representação dos trabalhadores? Precisamos acordar pra isso’’, comentou Luciana Santos.
FINANCIAMENTO PÚBLICO: A UNE DEFENDE
A reforma política e as formas de viabilizar as campanhas no Brasil são, atualmente, um dos temas mais importantes para o país. A UNE tem sua opinião. Defende, oficialmente, o financiamento exclusivamente público. Para a entidade, a aprovação dessa medida tornaria o processo eleitoral mais transparente. Antes do pleito, todos seriam informados de quanto cada partido poderia gastar e que parte caberia a cada eleição.
Para Roberto Amaral, a conquista do financiamento exclusivamente público ajudaria a resolver os problemas da representação política brasileira. ‘’ A questão é retirar ao máximo a influência perversa e corruptiva do poder econômico. Não há um caso de corrupção nesse país que não tenha empresários envolvidos”, falou.
Dinheiro público para as eleições?
Uma das críticas à adoção do financiamento exclusivamente público de campanhas eleitorais é a de que o dinheiro do contribuinte deixaria de ser empregado em áreas vitais como a saúde ou a educação. Em sua fala, Eloi Pietá rebateu essa hipótese: ‘’Empregar impostos em prol das campanhas significaria, de certo modo, um valor irrisório perto do que o Brasil perde com as falcatruas estimuladas pelo dinheiro privado’’, explicou.
Para Ivan Valente, esse seria um sistema muito mais igualitário. ‘’Cálculos feitos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) provam que uma eleição feita com um fundo público custaria cem vezes menos que a corrupção eleitoral’’, sintetizou.
Renata Bars