As aulas mal retornaram e o movimento estudantil paulista já está mobilizado. Isso porque, com o apoio da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) centenas de estudantes da Universidade Nove de Julho (UNINOVE) realizaram durante toda a semana uma série de atos no campus Vila Maria e Vergueiro, contra a reprovação coletiva causada com o fim do Programa de Recuperação de Alunos (PRAs).
O fim da prática oferecida aos universitários que não atingem a nota mínima exigida surpreendeu os alunos do 7º semestre dos cursos de Ciências Contábeis, Farmácia, Direito e Engenharia de Produção, que alegam não terem sido comunicados sobre a extinção. Indignados, muitos não conseguiram renovar a matrícula e ainda temem perder bolsas de estudos e estágios.
Com a presença da polícia na porta do campus, apenas na quarta-feira (8/8), após pressão por parte dos estudantes, com cartazes, narizes de palhaços, catracas puladas é que a instituição aceitou receber as lideranças estudantis para uma conversa. “A reitoria nos posicionou que abririam as PRAs, o que realmente aconteceu, porém em alguns casos não foram o suficiente”, conta o presidente do CA de farmácia, Gustavo Marques.
“Queremos que as PRAS sejam lançadas semanalmente até o fim do semestre para os alunos veteranos da universidade, e que somente a partir do primeiro semestre de 2013 a universidade reformule o mesmo, deixando o calendário já fixado para os alunos. Para a melhoria do conteúdo, acreditamos ser mais viável um corpo exclusivo de professores e coordenadores para o Programa”, anseia Marques.
Presente nas mobilizações e apoiando os estudantes estava o presidente da entidade, Alexandre Silva. Segundo ele, a UEE-SP acompanhará de perto a situação para que nenhum estudantes seja prejudicado com quaisquer modificação no método de avaliação. “O nosso compromisso é lutar por uma universidade que dialogue com o estudante, prezando o seu aprendizado e não o lucro gerado por ele. Enquanto for necessário as mobilizações irão continuar”.
UNINOVE é dez?
Não é a primeira vez que a instituição entra na mira das entidades estudantis. A Universidade Nove de Julho no primeiro semestre deste ano foi alvo de uma série de mobilizações contra as abusivas práticas de aumento de mensalidade.
Em todas as unidades foram organizados atos pedindo ao reitor prof. Eduardo Storópoli o congelamento dos valores pagos. A resposta não veio e durante manifestação na unidade Memorial houve repressão por parte dos seguranças da UNINOVE que agrediram o presidente da UEE-SP, Alexandre Silva. O estudante realizou um boletim de ocorrência relatando os ataques no 7º Distrito Policial no bairro da Lapa.
Thatiane Ferrari (UEE-SP)