“Ao ganhar a bolsa do ProUni sai do sertão pernambucano, deixei a minha família e fui para outro estado cursar uma universidade. É difícil ter de trabalhar e estudar, mas hoje, passado tanto tempo, me sinto feliz em estar no 8º período do curso de direito”. Refletir sobre o testemunho do estudante Patrick Campos, durante debate do CONEB da UNE neste sábado (19) é avaliar o sucesso dos programas de políticas educacionais aplicadas pelo governo federal nos últimos anos. Muito se avançou, porém, é preciso mais.

O debate reuniu em Recife, na Universidade Federal de Pernambuco, o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do ProUni (COLAP), Valmor Bolan, coordenador geral do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), Flávio Carlos Pereira e a doutoranda em educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo  (PUC-SP), Fabiana Costa. Estudantes de todos os cantos do país, beneficiados ou não pelos programas,  lotaram o auditório da Universidade Federal de Pernambuco. 

“Ser um estudante universitário não era sonho de pobre. O povo brasileiro estava acostumado a não pensar em futuro. Estes programas serviram mudar essa realidade”. A afirmação do presidente da COLAP, Valmor Bolan, é a de quem  audita  o programa em todo o país.

Porém, ele ressalta a necessidade de promover a permanência no ensino superior e lutar contra a problemática da evasão estudantil. O estudante  necessita de mais do que a sua matrícula na instituição de ensino.  Transporte, alimentação e material são gastos altíssimos, que muitas vezes o sbeneficiado pelo programa não têm condições de arcar.

“Precisamos acabar com a divisão social que existe dentro das  universidade privadas”, acredita o presidente da COLAP, que reforça:  “É  na hora do intervalo que fica evidente a diferenciação de quem frequenta a praça de alimentação e do prounista que vai comer no carrinho de hotdog”.

O coordenador geral do FIES explicou um pouco sobre a iniciativa e defendeu esse tipo de política. Desde 2010, o FIES passou a funcionar em um novo formato. Com a entrada do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) como Agente Operador, os juros presentes nas mensalidades foram diminuidos, o que garantiu assim, o aumento do acesso à universidade. Segundo ele, o orçamento do último ano, disponibilizou para os estudantes 21 bilhões de reais.

Sonhos virando realidade

Desde que surgiu o ProUni, a então vice diretora da UNE Fabiana Costa se interessou pelo tema. Ao perceber a expectativa da sociedade em torno do programa e as oportunidades de elevação social, a estudante da PUC-SP começou uma pesquisa de mestrado que resultou no livro “ProUni: o olhar dos estudantes beneficiados”, da editora Michelotto.

Compartilhando com os estudantes as peculiaridades encontradas em seu trabalho, Fabiana apontou como o ProUni contribiu significadamente na ascensão financeira de seus entrevistados. “Além de realizar o sonho de formar o primeiro universitário de uma família, o programa proporcionou uma evolução em suas carreiras de trabalho, contribuindo para o aumento também de seus salários”, conta.

Para ela, os obstáculos e as dificuldades vencidas mostram que mesmo no caminho certo é necessário ser perseverante. “Precisamos batalhar muito no Brasil para superar as desigualdades e todos esses anos em que a educação foi colocada em segundo plano”, defendeu.

Thatiane Ferrari