Na última quarta-feira, logo após a passeata da Jornada de Lutas no Rio de Janeiro, já se via nas principais redes sociais o chamado da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ) para a próxima atividade: “Nesta quinta-feira, às 14h, contamos novamente com a participação de todos os estudantes. Vamos nos concentrar na avenida Rio Branco, em frente ao Clube Militar, e unir todas as forças estudantis para um ato pacífico em defesa da democracia”
A entidade se referia ao protesto que reuniu ontem (29) centenas de pessoas contra a comemoração da “revolução” de 31 de março de 1964, inaugurando um dos períodos mais sombrios da história do Brasil. É de costume, todo dia 31, os militares almoçarem para comemorar o aniversário do golpe militar.
Como ficou claro na mensagem, a perspectiva dos estudantes era promover uma manifestação pacífica. O saldo final, no entanto, apontou o contrário: ao menos duas pessoas foram presas e duas ficaram feridas. A passeata foi organizada pela Internet, cruzou o centro do Rio e terminou na porta do clube.
Segundo o presidente da UEE-RJ, Igor Mayworn, os manifestantes gritavam palavras de ordem e carregavam faixas e cartazes com imagens de presos políticos desaparecidos. Após saírem do almoço, os militares foram hostilizados e chamados de torturadores. “Para conter a fúria dos manifestantes, os policiais militares usaram muita violência e abuso do poder”, ratificou.
A presidente da União Estadual dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (UEES-RJ), Mel Gomes, estava presente e também ressaltou que foram os militares que mandaram a polícia repreender os estudantes. ”Eles fazem de tudo para mostrar o poder”, disse.
Cerca de 500 pessoas de movimentos sociais tentaram fechar a Rio Branco e foram contidos pela PM com gás de pimenta e bombas de gás lacrimogênio. Além disso, a confusão teve muita violência física com socos e pontapés. Contudo, Igor Mayworm afirmou que os manifestantes não desistiram em um só segundo e, mesmo com toda violência, o ato foi um sucesso.“Acredito que eles vão pensar duas vezes antes de realizarem o almoço no ano que vem. Se houver outro, estaremos lá”,ressaltou.
Mariana Ortiz