Mais de 400 docentes, servidores e estudantes da Universidade Federal do ABC (UFABC), da Universidade Federal de São Carlos (UFScar) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizaram na manhã desta terça-feira (12/06) uma manifestação em frente à Bolsa de Valores de São Paulo pela valorização da universidade pública.    

De maneira pacífica com carro de som, cartazes e apitos, os manifestantes pediam mais investimento para a educação e a reestruturação do plano de carreira dos professores das universidades federais do país. A ação visa sensibilizar o governo, para que negocie as reivindicações das classes.

O ato faz parte da deflagração da paralisação nacional por tempo indeterminado, anunciada no dia 17 de maio, por mais de 50 instituições federais. Em apoio, os estudantes de mais de 20 universidades declararam greve estudantil. 

A diretora de universidades públicas da UNE, Carina Vitral, lembrou a peculiaridade do local escolhido. “É muito simbólico que a gente tenha feito este ato em frente à BOVESPA, porque se não conseguimos 10% de PIB para a educação é porque hoje o governo paga 49% de juros só para dívida pública. A educação no Brasil precisa ser prioridade de fato, de uma vez por todas e é somente se mobilizando, indo pra rua, com greve geral em toda federal é que nós vamos conseguir alcançar isso”.

Presente na manifestação, o diretor do DCE da UFABC Bernardo Mendes comemorou o sucesso da mobilização. “Alcançamos o nosso objetivo de expor para toda a sociedade por meio da rua e da mídia a nossa pauta. Houve uma grande adesão por parte das outras universidades e um peso muito grande com a presença dos docentes e técnicos”.  

A manifestação seguiu em passeata para a Praça do Colégio onde ocorreu uma assembleia. Por unanimidade, foi votada a continuação da greve no Estado.  

Para o presidente da UEE-SP, Alexandre Silva é preciso exigir o fim do corte de verbas para conseguir alcançar uma real expansão das universidades públicas. “Precisamos neste momento discutir a extinção dos cortes no ensino do nosso país e exigir um projeto de instituição com a conquista de um novo Plano Nacional de Educação”. 

Estamos em greve!

 A luta por um novo plano de carreira, reajuste de salários e melhores condições de trabalho são as bandeiras que os docentes federais carregam nesta paralisação. Já os estudantes reivindicam o aumento das verbas destinadas à assistência estudantil, a contratação de mais professores e servidores técnicos administrativos, a implantação de um plano para conclusão das obras de infraestrutura, a paridade nas eleições da reitoria, 10% do PIB e 50% dos royalties do fundo social do pré-sal para a educação.

Na Universidade Federal do ABC, em apoio à greve dos servidores professores e técnico-administrativos da instituição, os universitários realizaram uma assembleia e votaram por unanimidade a deflagração de greve por tempo indeterminado.

Na UNIFESP, a greve também foi declarada nos seis campi: Baixada Santista, Diadema, Guarulhos, Osasco, São José dos Campos e São Paulo. Já na UFSCar, os professores do Campus de Sorocaba paralisaram suas atividades. Na área dos técnicos administrativos os três campi São Carlos, Araras e Sorocaba deflagraram greve.

 Confira as fotos do ato no Flickr oficial da UEE-SP

UNE em defesa da educação e da universidade brasileira

Neste momento de intensa luta por melhorias no ensino superior brasileiro, a UNE reforçou a defesa de uma Reforma Universitária democrática e declarou todo seu apoio à greve. Em sua última reunião de diretoria executiva, realizada no dia 31 de maio, uma nota foi lançada declarando apoio às paralisações e reivindicando um novo Plano Nacional de Ensino (PNE) à altura dos desafios do país.

Dessa forma, as mobilizações seguem para que nos dias 12 e 13 de Junho seja aprovado um PNE que garanta 10% do PIB e 50% dos royalties e Fundo Social do Pré-Sal para educação.

Leia o documento na íntegra aqui. 

Renata Bars e Thatiane Ferrari (UEE-SP)