Os governos de São Paulo, do Paraná e do Pará e outras cidades Brasil afora têm manifestado um descaso que há anos não se via pela classe dos professores. No Sudeste, Sul e Norte do país, em vez de estarem cumprindo seu papel nas salas de aula, os professores têm travado verdadeiras batalhas contra o retrocesso de seus direitos e por melhores condições de trabalho.
Acompanhe:
PARANÁ
Em Curitiba (PR) milhares de professores da rede estadual de ensino e universidades estaduais estão mobilizados desde segunda-feira (27/4) em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para pressionar os deputados a barrar o projeto de lei do governador que permite utilizar o dinheiro do Fundo Previdênciário, a Paraná Previdência. Os estudantes também estão presentes e declaram apoio às reivindicações dos educadores.
De acordo com o diretor da União Paranaense dos Estudantes (UPES), Tomas Siedleski, na segunda mesmo o acampamento dos professores foi removido da Praça Nossa Senhora da Salete, em frente a casa legislativa. “A UPES fez um pedido de Habeas Corpus ao Supremo Tribunal de Justiça e conseguiu a garantia do direito a livre manifestação na ALEP”, afirmou o estudante. O projeto teve a votação transferida para quarta-feira (29) e o plenário será liberado para acompanhar a votação, restrito a lotação.
Nesta terça-feira (28) de manhã a política agiu com violência e alguns professores ficaram feridos. O governador Beto Richa promoveu um verdadeiro cerco policial e até mesmo o acesso às imediações está sendo impedido. Mais de 5 mil policiais de todo o Paraná participam da ação.
No último sábado (25), em assembleia em Londrina, norte do Estado, os professores decidiram pela retomada da greve nas escolas públicas em protesto contra a alteração na Paraná Previdência e lançaram a campanha salarial de 2015. “O descontentamento com o governo que mais uma vez quebrou o acordo em relação ao projeto da Paraná Previdência é geral e a categoria não vê outra saída se não a greve”, destacou nota da App Sindicato.
A última greve durou 29 dias entre fevereiro e março, teve adesão de professores e técnicos das universidades estaduais também e ficou na história do Estado com a ocupação inédita dos professores na Alep. A pressão funcionou momentaneamente e o governo desistiu do “tratoraço” para aprovar o PL 252/2015, conhecido como pacote das maldades, que agora volta à cena em novo formato.
São Paulo
Já em São Paulo, a greve já dura 47 dias. Deflagrada no dia 13 março, os professores da rede estadual de ensino de São Paulo tem realizado assembleias semanais e tentado diálogo com o governo sem sucesso. O chefe de Estado tucano só reconheceu a greve após um mês e paralisação e a última reunião com o secretário de Educação, Herman Voorwald, não houve entendimento devido à falta de proposta do representante do governo. Os docentes reivindicam aumento salarial de 75,33%, melhores condições de trabalho e o fim da superlotação nas salas de aula.
“Isso demonstra a disposição de luta dos professores depois do reajuste de 0% dado pelo secretário da Educação. Se ele não apresenta reajuste, isso significa que é reajuste de 0%”, disse a presidenta do Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha. Por isso, a última assembleia da categoria realizada sexta-feira (24/04) em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, região central da cidade, os professores decidiram manter a greve.
Ainda na sexta-feira, a juíza Luíza Barros Rozas, da 11ª Vara da Fazenda Pública, reconheceu a legalidade da greve e deferiu liminar em ação da APEOESP.
O governador Geraldo Alckmin deslegitimou a paralisação dos professores durante um evento esta semana. A União Estadual de Estudantes de São Paulo (UEE-SP) repudiou as declarações do chefe de Estado. “São inaceitáveis as declarações do Governador Geraldo Alckmin, alegando que a adesão é baixa, bancada por partido político e de que os professores já ganham o suficiente”, declarou em nota a entidade.
Desde janeiro 2 mil salas de aula das escolas estaduais foram fechadas, o que tem superlotado as restantes.
PARÁ
No Pará os professores também fizeram um ato público em frente ao Hangar Centro de Convenções, em Belém, na manhã desta terça-feira (28). O local sedia a conferência internacional sobre direitos humanos, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA) e reúne diversas autoridades. Os educadores estão em greve desde o dia 25 de março sobre a administração de outro tucano, Simão Jatene (PSDB). Eles reivindicam pagamento do piso salarial que não ocorre desde janeiro de 2015. Bem como pedem ainda reajuste do vale-alimentação e melhorias, como a realização de obras de reforma e construção de mais escolas em Belém e no interior. Eles também estão insatisfeitos com a retirada da carga horária e redução salarial, além do não cumprimento do acordo de concurso público e plano de carreira unificado. O governo anunciou nesta segunda-feira (27/04) que vai contratar professores temporários para substituir os grevistas.
Da Redação