Professores demonstram solidariedade à greve dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP), que já dura quase um mês. As principais reivindicações do Diretório Central de Estudantes (DCE) giram em torno da estrutura de poder da universidade, como as eleições diretas para reitoria, diretorias de unidades e chefes de departamento, fim da lista tríplice (que permite a intervenção do governador na escolha da reitoria) e abertura de um processo de estatuinte livre, soberana e democrática.
O Comando de Greve pretende colocar na pauta da reitoria também a implementação de cotas raciais, devolução de dois prédios para moradia estudantil e o fim do convênio da USP com a Polícia Militar.
Via e-mail, o pós-graduando em filosofia na USP, Antônio David, enviou para o Viomundo, blog alternativo de informações, uma carta com nomes de professores que apoiam irrestritamente os alunos que estão em greve.
Veja abaixo:
Não nos enganemos. Vivemos um momento excepcional na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP), relacionado ao movimento mais amplo de reivindicação de democracia e eleições diretas para reitor, na USP; de contestação do autoritarismo dos governos da cidade e do estado de São Paulo; de crítica às políticas de fundo neoliberal sempre em curso no Brasil.
É um momento de crise econômica e política grave, que não permite tergiversações e conciliações aparentes, ao mesmo tempo em que abre a possibilidade de realizar as mudanças necessárias e há muito desejadas no quadro institucional existente.
Diante desta grande oportunidade, impõe-se uma ação clara e decidida por parte dos que querem de fato superar o estado de coisas que a crise tornou inviável. Os que somos favoráveis a tais mudanças, temos de apoiar todo esse movimento, certos de que eventuais excessos serão corrigidos no seu próprio curso.
O que não se pode é desviar a atenção por considerações externas que o paralisem ou retardem, nem por julgamentos de tipo moralizante que acabam servindo aos interesses políticos conservadores.
No âmbito da FFLCH, o movimento começou com a greve dos estudantes, mas deve alcançar todas as categorias, interessadas do mesmo modo na ampliação do espaço de discussão e de decisão. Para isso, declaramos apoio irrestrito ao corpo discente mobilizado, deixando de lado diferenças, nesse momento secundárias.
Jorge Grespan – Departamento de História – USP
Heloísa Fernandes – Departamento de Sociologia -USP
Leila Hernández – Departamento de História – USP
Paulo Arantes – Departamento de Filosofia – USP
Otília Fiori Arantes – Departamento de Filosofia -USP
Ricardo Musse – Departamento de Sociologia – USP
Ruy Braga – Departamento de Sociologia – USP
Henrique Carneiro- Departamento de História – USP
Marlene Paulos – funcionário da FFLCH – USP
Renan Quinalha – aluno de pós – Faculdade de Direito – USP
Maria Silvia Betti – Departamento de Letras Modernas – USP
Francisco Alambert – Departamento de História – USP
Cilaine Alves Cunha – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas – USP
Osvaldo Coggiola – Departamento de História
Luiz R. Martins – Departamento de Artes Plásticas – ECA – USP
Eri Teruki Otsuka – Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada
Rodrigo Ricupero – Departamento de História – USP
Mauricio Cardoso – Departamento de História – USP
Valeria De Marcos – Departamento de Geografia – USP
Sean Purdy – Departamento de História – USP
Natan Zeichner – Fulbright-Hayes Scholar, Department of History – New York University
Marcos Silva – Departamento de História – USP
Jorge Luiz Souto Maior – Faculdade de Direito – USP
Zilda Márcia Grícoli Iokoi – Departamento de História – USP
Adma Muhana – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas – USP
Helder Garmes – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas – USP
João Adolfo Hansen – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas – USP
Anderson Gonçalves – Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada – USP
Carlos Zeron – Departamento de História – USP
Leon Kossovitch – Departamento de Filosofia – USP
Homero Santiago – Departamento de Filosofia – USP
Antonia Terra – Departamento de História – USP
Da Redação