Trabalhadores do Brasil inteiro paralisaram as atividades e organizaram manifestações nesta quarta-feira (15/04) para protestar contra a Lei da Terceirização, aprovada pela Câmara dos Deputados no último dia 8. Na capital paulista as centrais sindicais, movimentos sociais e estudantil se somaram em dois grandes atos: um na Avenida Paulista e outro no Largo da Batata. Milhares de manifestantes compareceram marchando sob forte chuva em um protesto pacífico.

Na Avenida Paulista, por volta das 15 horas, o presidente nacional da Central dos Trabalhadores Brasileiros (CTB), Adilson Araújo, destacou a gravidade do projeto de terceirização que, segundo ele, representa o fim da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e de todos os direitos conquistados ao longo de décadas com lutas históricas da classe trabalhadora. Ele não titubeou em afirmar que “a terceirização é o pior projeto em curso desde a ditadura militar”.

Já no Largo da Batata o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, destacou os desdobramentos nocivos da Lei. “As perdas para os trabalhadores com esse projeto de lei vão muito além da CLT, tudo que nós conquistamos até hoje: férias, décimo terceiro salário, licença maternidade… todas essas conquistas vão ser jogadas na vala comum se esse projeto for aprovado”, explicou o dirigente.

Para a presidenta da UNE, Vic Barros, a proposta quer nivelar por baixo o direito dos trabalhadores. “A agenda do congresso que defendemos é a de mais direitos para os trabalhadores e as trabalhadoras. A tercerização no modelo da PL4330 representa o oposto disso com a prezarização do trabalho ”, afirmou.

As paralisações desta quarta-feira (15) aconteceram em todo o Brasil, em alguns lugares fábricas inteiras pararam, os trabalhadores do transporte público também fizeram paralisações gerais em algumas cidades, servidores municipais, estaduais, bancários, diversas categorias estiveram unidas neste dia que marcou a luta contra a terceirização.

Para Adilson, essa foi a resposta do povo ao Congresso conservador. “Cidades inteiras amanheceram sob protesto, protesto esse que tem a voz da nossa dignidade. A resposta está dada, estas atividades servem para mostrar de que lado nós estamos”, disse.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, a classe trabalhadora “deu uma lição na direita”. “Eles acharam que iam aprovar esse projeto sem a reação do povo, mas esqueceram que o povo não está la Congresso, está sim aqui nas ruas”

PRECARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

A UNE divulgou uma nota em que afirmar que “ao mesmo tempo, nossos direitos estão ameaçados com a aprovação da terceirização que além de precarizar as relações de trabalho, também ameaça a qualidade de ensino das escolas e universidades a partir da implementação dessa prática na contratação de professores e pesquisadores”.

Além disso, para a entidade o dia 15 também foi de luta por mais direitos; contra a proposta da redução da maioridade penal e contra o genocídio da juventude negra exigindo menos presídios e mais escolas; pela reforma política com o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais; pela democratização dos meios de comunicação; pela implementação de 10%do PIB para a educação.

PRESSÃO NAS RUAS: VOTAÇÃO ADIADA

O texto-base do projeto que regulamenta a terceirização dos contratos de trabalho já foi aprovado, mas os principais destaques dele ainda precisam passar por votação. Eles seriam votados ontem, mas sob pressão das entidades sindicais, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB) decidiu adiar a conclusão para quarta-feira que vem.

Durante o ato dessa quarta o presidente da CUT mandou um recado para o líder parlamentar. “Eduardo Cunha, aprenda, você não manda no Brasil”. E continuou: “nós vamos fazer uma greve nacional para impedir que se aprove o 4330”, afirmou.

Após a conclusão da redação final do projeto ele seguirá para votação no Senado — onde ainda podem ser apresentadas emendas, destaques ou um substitutivo integral ao texto. Se houver mudanças, o projeto retorna para apreciação dos deputados e, depois, é encaminhado para sanção total, parcial ou veto da presidente Dilma Rousseff. Ou seja, ainda não há nada definido.

A presidenta da UNE afirmou ainda que os estudantes seguirão nas ruas para “barrar o projeto, agora no Senado Federal”, afirmou.

Com informações do Vermelho