Na noite da última quarta-feira (26/6) movimentos que defendem a democratização dos meios de comunicação realizaram uma plenária no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo, para traçar uma estratégia de atuação. Os participantes decidiram realizar uma manifestação diante da sede da Rede Globo na cidade, na próxima quarta-feira (3/7).
A insatisfação popular em relação à mídia foi marcante nas recentes manifestações populares em São Paulo. Jornalistas de vários veículos de comunicação foram hostilizados durante os protestos. No caso mais grave, um carro da rede Record, adaptado para ser usado como estúdio, foi incendiado.
Durante a plenária, o professor de gestão de políticas públicas da Universidade de São Paulo (USP), Pablo Ortellado, avaliou que os jornais “Folha de S.Paulo”, “O Estado de S. Paulo”, a revista “Veja” e a própria Globo, por meio de editoriais, incentivaram o uso da violência para reprimir os manifestantes. Mas, em seguida, passaram a colaborar para dispersar a pauta de reivindicações que originaram a onda de protestos, ao incentivar a adoção de bandeiras conservadoras exteriores à proposta do MPL – até então restrita à revogação do aumento das tarifas de ônibus, trens e metrô de R$ 3 para R$ 3,20.
Para a diretora de comunicação da UNE, Ana Lúcia Velho, este é o momento de aprofundar o debate sobre a democratização dos meios de comunicação. ‘’Estamos num ambiente de muita pressão popular reivindicando mais direitos, democratizar a mídia é um eixo fundamental para consolidar a democracia. Romper com o monopólio de apenas seis famílias comandando a comunicação no Brasil é uma forma de possibilitar a verdadeira liberdade de expressão’’, declarou.
Os movimentos sociais, no entanto, ainda buscam uma agenda de pautas concretas para atender a diversas demandas, que incluem a democratização das concessões públicas de A União Nacional dos Estudantes sempre se pautou pela defesa radical da democracia e da liberdade de expressão, mas, para expressar a liberdade, é fundamental garantir o acesso de todos aos meios de comunicação.
REGULAMENTAR É PRECISO
A União Nacional dos Estudantes sempre se pautou pela defesa radical da democracia e da liberdade de expressão, mas, para expressar a liberdade, é fundamental garantir o acesso de todos aos meios de comunicação.
A mídia de massas no Brasil é controlada por poucas famílias que estão a serviço dos setores mais conservadores da sociedade. Contrariando a legislação brasileira, estas empresas detém propriedade cruzada dos veículos de comunicação, enquanto o governo federal se esquiva do debate da renovação dos sinais de concessão de rádio e tv e segue destinando a maior parte das verbas publicitárias para estas empresas. Neste sentido, o Projeto de Lei de Iniciativa Popular por uma Comunicação Democrática (Plipcom) é uma das bandeiras defendidas pelos movimentos sociais para definir um marco regulatório para a mídia. Outra importante arma nesse quesito é também o Marco Civil da Internet. Por meio dele, direitos e deveres serão estabelecidos no uso da internet no Brasil. O PL 5403/2001 está atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados com previsão de votação somente para o mês de setembro.
Da Redação com Rede Brasil Atual