As cenas de guerra vividas na tarde de terça-feira (29/04) no Centro Cívico em Curitiba, no Paraná, chocaram o país. Milhares de pessoas devem se reunir hoje (30) novamente na Praça Nossa Senhora da Salete em ato de apoio civil aos professores e servidores do Paraná.
A presidenta da UNE, Vic Barros, classificou o episódio como revoltante, chocante e inaceitável.
“A violência da polícia paranaense ontem contra os professores e servidores do estado mostra a face mais desprezível do governador Beto Richa, que não tem absolutamente nenhum respeito pela educação e pelo povo do Paraná. Utilizou-se da violência bruta para tentar acabar com uma mobilização pacífica com pauta justa e democrática, enquanto seus deputados aliados confiscavam a previdência dos servidores dentro da Assembleia Legislativa”, afirmou.
A violência começou por volta das 15h, quando os deputados estaduais começaram a sessão para votar um projeto de lei (PL) que mexe na previdência estadual dos servidores públicos, a ParanaPrevidência.
Os professores – que retomaram a greve iniciada em fevereiro – acompanhavam a votação em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). A Polícia Militar quis dispersar a multidão e usou bombas de gás, balas de borracha, jatos de água e cachorros. Os professores recuaram, mas a PM insistiu na truculência.
Enquanto isso dentro da casa legislativa, imunes à batalha sangrenta do lado de fora, a base governista encabeçou a derrota dos trabalhadores e o projeto do governador tucano foi aprovado por 33 votos a 20.
SAQUE NA PREVIDÊNCIA
A administração estadual enfrenta seríssimos problemas de caixa e a justificativa do governo para ‘saquear’ a poupança da previdência dos trabalhadores é que a ação vai representar uma economia de R$ 125 milhões por mês.
Com a aprovação do projeto pelos deputados, 33.556 beneficiários com 73 anos ou mais serão transferidos do Fundo Financeiro para o Previdenciário.
O Fundo Financeiro é bancado pelo governo estadual. Já o Previdenciário é composto por contribuições dos servidores estaduais. Com essa mudança da origem do custeio, a administração economizaria mensalmente os referidos R$ 125 milhões.
O governo afirma que serão preservadas todas as garantias dos funcionários públicos, e que os cálculos atuariais realizados pelos técnicos garantem a solvência do sistema por 29 anos.
Mas os servidores alegam que a mudança comprometeria a saúde financeira da ParanaPrevidência, ou seja, faria que, com o tempo, a instituição tivesse mais a pagar do que a receber.
HISTÓRICO
A repressão truculenta da Polícia Militar não só deixou milhares de professores feridos, foram 200 no total, mas também humilhou e ofendeu a categoria que desde o início do ano tem lutado contra o retrocesso dos seus direitos.
Desde o começo de 2015, professores com apoio dos estudantes da UNE e União Paranaense dos Estudantes (UPE) têm protagonizado uma série de batalhas contra o desmonte da educação pública no Estado. A última greve durou 29 dias em fevereiro e março e teve adesão de professores e técnicos das universidades estaduais também.
A paralisação ficou na história do Estado com a ocupação inédita dos professores na Alep, pressão que funcionou momentaneamente quando o governo desistiu do “tratoraço” para aprovar o pacote das maldades, que já previa o confisco da ParanaPrevidência e que agora voltou à cena em novo formato.
Faltam professores nas escolas, as salas de aula estão superlotadas, grande parte dos gestores insistem em descumprir a Lei do Piso Salarial do Magistério. Além disso, segundo a App Sindicato os funcionários da educação não conseguem ter acesso à profissionalização e, quando têm, não são valorizados nos planos de carreira bem como as escolas se mantêm em estado de penúria.
O governo afirma não ter dinheiro para bancar as contas básicas de salários e repasses mensais de universidades e escolas. A categoria dos professores e o movimento estudantil afirmam: “essa crise não é nossa, e nós não vamos pagar por ela”.
Leia entrevista que a presidenta da UPE, Elys Maryna, explica o que aconteceu com a educação paranaense.
Veja vídeo sobre o repressão policial ontem:
Com informações do G1