Dois dos mais lidos personagens da internet brasileira e o presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine) participaram da Bienal da UNE na tarde desta terça-feira (3), conversando com os estudantes sobre a atual realidade da comunicação no Brasil. Os blogueiros Luís Nassif e Cynara Menezes deixaram aos estudantes suas impressões acerca da democratização da mídia e seus desafios. Já Manoel Rangel traçou um panorama da produção audiovisual no país e os esforços para torná-la mais plural.
“O tema deste encontro é Vozes do Brasil e essas vozes não poderão ser ouvidas se mantivermos o atual modelo dos meios de comunicação brasileiros”, provocou Luís Nassif, um dos mais antigos e conhecidos blogueiros progressistas no país. Ele lembrou que o monopólio da mídia atende, somente, ao sistema financeiro, caracterizando uma distorção no processo democrático. “As TVs e rádios do país não deviam se esquecer que são concessões públicas e precisam cumprir uma função social”, criticou.
O presidente da Ancine defendeu a regulação da comunicação no país trazendo, como exemplo, o cinema. “É fundamental levar em conta que, por trás de uma produção qualquer, em qualquer mídia, está representado um discurso e a afirmação de um determinado poder, seja econômico, político, social. Esse processo precisa ser democraticamente regulado”, disse.
Os grupos que defendem as mudanças na comunicação brasileira desenvolveram um projeto de lei de iniciativa popular voltado ao tema, o Projeto de Lei da Mídia Democrática. Entre os principais pontos da proposta está a regulação econômica do setor, com o fim de monopólios e as chamadas propriedades cruzadas – quando a mesma empresa detém emissoras de televisão, rádio, jornais impresso e outras mídias – a regionalização do conteúdo e o controle social dos meios.
“Não acredito que devemos somente esperar essas medidas”, declarou Cynara Menezes. Em sua opinião, é hora de construir, mesmo antes da reforma, alternativas de veículos progressistas e ocupar novos espaços nas redes. “Nos inspiramos, por exemplo, no modelo de regulação midiática da Argentina, a Ley de Medios. Porém, nos esquecemos de que lá já existiam grandes veículos mais à esquerda desde sempre por lá. Ainda precisamos dar esse passo à frente”, concluiu.
Da Redação
Foto: Vitor Vogel