Os rumos da educação no Brasil e a expansão das universidades federais renderam um debate construtivo e acalorado, com opiniões distintas, no 60º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg) da UNE neste sábado (16/06). Ocupando todas as cadeiras e também o chão de uma das salas do Centro Tecnológico da UFRJ, no Rio de Janeiro, os jovens fizeram mais de vinte intervenções sobre o tema, em cerca de de duas horas de discussões.

O Coneg acontece no momento em que o Plano Nacional de Educação para o país (PNE), apresentado pelo governo federal, está em tramitação decisiva no Congresso Nacional e também quando as universidades federais passam por um momento de grande agitação com a greve de professores, funcionários e estudantes.

Priorizando o PNE e a luta pelos 10% do PIB para a educação nos último anos, a UNE acompanha de perto a votação do PNE, que teve seu mérito aprovado na sua comissão especial na Câmara dos Deputados e seguirá agora para o Senado Federal.

Três membros da diretoria da UNE participaram da mesa, Estevão Cruz, Matheus Malta e Ana Lúcia, que apresentaram suas divergências e convergências em relação ao momento da educação brasileira. “Há pontos positivos no PNE que já temos de levar em conta, porém o movimento estudantil precisa estar nas ruas, ter força para ser ouvido, pois há outros setores com outros interesses que também estão se movimentando e exercendo poder nesse debate”, afirmou Estevão.

Muito preocupados em debater a situação das universidades, os estudantes – na mesa e no plenário – dividiram-se quando o tema foi o programa de ReEstruturação e Expansão das Federais (Reuni). Fazendo uma avaliação do programa, Matheus considerou-o ineficiente: “Não existe, na minha opinião, separação entre acesso e qualidade. A única coisa que o Reuni apresenta é mais gente na universidade, mas sem estrutura, a universidade está precarizada”, afirmou.

Com opinião diferente, Ana Lúcia disse que o Reuni foi um avanço importante, que precisa ser apropriado pela luta do movimento estudantil, para garantir as melhorias em cada campus.”Não há como negar a importância do programa e, na verdade, ele partiu de um diagnóstico de que a universidade brasileira não está preparada para receber o povo. Se mesmo assim ainda falta estrutura e restaurante universitário, vamos nos mobilizar, vamos fazer o que for preciso para conquistarmos isso”, defendeu.

A greve das universidades e o papel do movimento estudantil nesse processo também foram amplamente debatidos. Como consenso, os estudantes ressaltaram a necessidade de acirrarem a mobilização pelo Plano Nacional de Educação fortalecendo a luta pelos 10% do PIB para a educação, dentro da UNE e nas ruas. “Precisamos de um PNE à altura do país”, resumiu a diretora Ana Lúcia. 

Do Rio de Janeiro, Artênius Daniel e Rafael Minoro