Pitty fecha a noite da 9ª Bienal nesta segunda (2) nos Arcos da Lapa. A baiana de 37 anos abriu caminho num ambiente dominado por homens e se consolidou como um nome de responsa no rock nacional. Mais de dez anos após o estouro de Admirável Chip Novo (2003), ela lançou no ano passado o elogiado SETEVIDAS, um disco pesado e de timbres apurados. Batemos um papo com a moça sobre música, gênero e –claro— o show da Bienal.
SETEVIDAS (2014) foi um álbum muito bem recebido pela crítica e trouxe uma pegada mais pesada, obscura. Houve uma busca consciente por novos caminhos neste disco?
Sempre há, essa busca é constante e parece que não vai ter fim. A cada disco procuro descobrir coisas diferentes em termos de sonoridade, arranjo e composição. É um desafio pessoal, e uma vontade de aprender e sempre dar um passo adiante.
Você já se disse otimista em relação ao rock e ao futuro do gênero no mercado musical. Como vê hoje os modelos de negócio disponíveis ao músico que quer viver de sua produção?
Existem vários modelos e tamanhos disponíveis hoje em dia, muito por conta da internet. Penso que cada artista deve buscar entender seu público e como chegar nele; se é algo de nicho ou dá pra ser mais amplo, o investimento e retorno.
Particularmente o rock já tem uma característica inata de independência, o “do it yourself”. A galera bota a mão na massa mesmo e corre atrás, tendo gravadora ou não. Por isso sou otimista em relação ao rock, porque ele independe de moda ou de demanda de mercado. Ele existe porque precisa existir.
Você construiu sua carreira numa cena marcada pelo machismo. Como aprendeu a lidar com essa questão e como vê o espaço da mulher no rock nacional hoje?
Acho que aprendi experimentando, errando e acertando. O espaço da mulher no rock é reflexo do espaço da mulher na sociedade como um todo; conquistamos algumas coisas mas ainda há um caminho a ser trilhado para se chegar na igualdade de gênero.
Estamos aí trilhando esse caminho com paciência, determinação, às vezes raiva e principalmente usando de didatismo; mas acho que o processo é esse mesmo.
Tem escutado e assistido música ultimamente? Qual é a trilha sonora do seu verão 2015?
Música, sempre. Só consigo fazer exercício ou correr se tiver música, então quase todo dia eu me dedico a descobrir ou redescobrir algum disco. E é super aleatório. Hoje eu estava ouvindo The Kingsman [garage rock dos anos 60], mas ontem era cumbia, rsrs.
Qual é o set que a banda levará para a Bienal, quais as expectativas para o show e os projetos pela frente para o ano?
A gente chegou num setlist bem legal ao longo dessa turnê e, ao contrário do que fazíamos, não o temos modificado muito, porque encaixou muito bem. É bem completo, tem as músicas do disco novo e também as das antigas. Tô bem animada pro show, acho que vai ser massa. :) Projeto para a frente é justamente embalar nessa turnê do SETEVIDAS, fora outras ‘coisitas’ que só dá pra contar quando estiverem mais azeitadas.
Da Redação